Micróbios do solo contribuem pouco para o aquecimento global

Dióxido de carbono expelido pelos organismos que vivem no subsolo não é produzido em maior quantidade quando a Terra está mais quente.

taniager

27 Abril 2010 | 14h53

Fungos, tais como os da espécie Laccaria da floresta boreal no Alaska, são a chave do ciclo de carbono. Crédito: cortesia de Steve Allison / UC Irvine.

Fungos, tais como os da espécie Laccaria da floresta boreal no Alaska, são a chave do ciclo de carbono. Crédito: cortesia de Steve Allison / UC Irvine.

Os resultados de estudo sobre a contribuição dos micróbios do subsolo para o acréscimo de gás carbônico na atmosfera foram publicados na Natural Geoscience esta semana. A conclusão dos pesquisadores contradiz o que era esperado. Após análise dos resultados ficou evidente que o dióxido de carbono (CO2) expelido pelos organismos que vivem no subsolo não é produzido em maior quantidade quando a Terra está mais quente.  

A equipe, formada por pesquisadores das Universidades da Califórnia-Irvine e do Estado do Colorado além da Faculdade de Estudos Florestais e do Meio ambiente de Yale, descobriu que o aumento da temperatura global diminui a eficiência dos micróbios do subsolo em transformar o carbono no grande vilão do aquecimento climático, o dióxido de carbono.

Os micróbios, sob a forma de bactérias e fungos, usam carbono como energia para respirar e crescer em tamanho e número. Um modelo desenvolvido pelos pesquisadores mostra os micróbios expirando o dióxido de carbono com mais intensidade por um curto período de tempo em um ambiente mais quente. Em conseqüência, a quantidade de carbono consumido na respiração diminui e impede o crescimento maior destes organismos. Também, enquanto as temperaturas mais quentes são mantidas, a utilização menos eficiente do carbono faz com que eles diminuam em número. O resultado é uma quantidade menor de dióxido de carbono sendo emitida para a atmosfera.


Steven Allison, professor assistente de ecologia e biologia evolutiva na UCI e principal autor do estudo, argumenta que os micróbios não são os agentes destrutivos do aquecimento global que os cientistas acreditavam ser. Eles funcionam como seres humanos: absorvem combustíveis com base em carbono e expiram o dióxido de carbono. Eles são os motores que mantêm o ciclo de carbono no solo. Em um ambiente equilibrado, as plantas armazenam carbono no solo e os micróbios usam o carbono para crescer. Os micróbios então produzem enzimas que convertem o carbono do solo em dióxido de carbono na atmosfera.

As novas simulações sugerem que se a eficiência microbiana diminui em um mundo mais quente, as emissões de dióxido de carbono voltarão aos níveis do pré-aquecimento, um padrão observado em experimentos de campo. Mas, se os micróbios conseguirem se adaptar ao calor – por exemplo, através do aumento da atividade das enzimas – as emissões podem ser intensificadas.

Segundo Mark Bradford, professor assistente de ecologia de ecossistema terrestre em Yale, mais pesquisas sobre processos microbiais causando perdas de carbono deverão ser realizadas para reduzir as incertezas no prognóstico do clima.

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