Minha casa, sua casa: "invasores" podem coexistir com nativos em paz

Caranguejo Hemigrapsus sanguineus se espalhou pela costa norte-americana sem causar danos a espécies nativas.

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17 Maio 2010 | 16h29

Caranguejo Hemigrapsus sanguineus se espalhou pela costa norte-americana sem causar danos a espécies nativas. Crédito: Brown University.

Caranguejo Hemigrapsus sanguineus se espalhou pela costa norte-americana sem causar danos a espécies nativas. Crédito: Brown University.

Nem sempre quem chega a sua casa e se instala definitivamente sem avisar vai estragar a sua vida. Pelo menos não se escolher o cantinho certo. Ou fizer parte da natureza selvagem. De acordo com uma pesquisa da Universidade Brown, nos EUA, espécies invasoras podem coexistir de forma “pacífica” com os animais nativos. É o que caranguejos asiáticos Hemigrapsus sanguineus, que se espalharam na costa atlântica sem infringir regras, estão mostrando.

Em um artigo publicado na Ecology, os pesquisadores explicam por que este caranguejo (que chegou em navios comerciais à costa norte-americana no final da década de 1980, espalhando-se rapidamente pelas praias vizinhas) teve sucesso na nova casa, sem prejudicar nenhuma espécie nativa.

“Geralmente, quando você pensa em invasões, você pensa que será algo ruim”, diz Andrew Altieri, autor do artigo. “No entanto, encontramos aqui uma situação que não ocorre muito. Um lugar onde nativos e invasores se dão muito bem”, ressalta o pesquisador.

O local é um nicho favorável para caranguejos asiáticos crescerem e se multiplicarem. Existem em maior número onde há maior oferta de comida – ou seja, mexilhões. Além disso, o ambiente parece ser bastante acolhedor, com sombra, proteção extra das plantas e “armadilhas naturais” onde a comida se torna abundante.

Embora estes caranguejos se concentrem nestas regiões, espécies nativas como o caramujo, pequenos crustáceos, mexilhões e outros, não se afastaram. Estudos mostraram, inclusive, que nos locais com maior concentração de invasores, maior o número de espécies nativas.

“Eles podem estar promovendo a coexistência”, ressalta Altieri. “Permitindo que este ecossistema absorva uma nova espécie”. Além disso, o trabalho pode ajudar a mostrar a importância de nichos naturais que possam driblar as mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global.

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