Spitzer pode esclarecer como estrelas binárias são formadas

Há tempos astrônomos procuram entender a formação de estrelas gêmeas, ou binárias, porque elas são maioria no universo.

taniager

21 Maio 2010 | 14h21

Novas evidências mostradas pelo telescópio espacial Spitzer da NASA sugerem que estrelas binárias com pequena distância entre si podem ter sido formadas por invólucros de poeira assimétricos como os mostrados na imagem. Crédito: NASA/JPL-Caltech/Univ. de Michigan

Novas evidências mostradas pelo telescópio espacial Spitzer da NASA sugerem que estrelas binárias com pequena distância entre si podem ter sido formadas por invólucros de poeira assimétricos como os mostrados na imagem. Crédito: NASA/JPL-Caltech/Univ. de Michigan

Há muito tempo, os astrônomos procuram entender a formação de estrelas gêmeas, ou binárias, porque elas são a maioria no universo – diferente do Sol que pertence ao grupo minoritário de estrelas solitárias.

Sabe-se que estrelas binárias são duas estrelas que circulam em torno uma da outra e que, a distância entre elas difere conforme o par. Os astrônomos sugerem que a variação da distância entre os pares acusa formações diferentes: binárias mais distantes entre si são formadas a partir de duas nuvens, como é o caso de gêmeos fraternos formados por dois ovos e; binárias mais próximas entre si formadas em uma nuvem, como em gêmeos idênticos formados a partir de um único ovo. Mas será que é isso mesmo?

A analogia entre envoltório de nuvem de poeira e útero pode ajudar os astrônomos a desenvolver hipóteses sobre o assunto, mas espera-se que a confirmação possa ser feita através de dados reais coletados pelo telescópio espacial Spitzer da NASA.

O Spittzer, telescópio de “visão” infravermelha, forneceu recentemente imagens do processo de formação de estrelas binárias, desde a constituição das gêmeas até seu nascimento.  

O telescópio infravermelho pode ver a estrutura de invólucros densos de poeira em torno de estrelas recém-nascidas com detalhes impressionantes. Estes invólucros são como úteros alimentando  estrelas em seu interior  – o material cai dentro dos discos que giram em torno das estrelas e, em seguida, ele é puxado para dentro das estrelas que vão engordando.

Os astrônomos estudaram 20 casos, e constataram nas imagens do Spitzer que os invólucros, parecidos com bolhas, eram assimétricos em protoestrelas binárias. Segundo eles, são estas irregularidades que podem disparar a formação de estrelas binárias.

John Tobin da Universidade de Michigan e Ann Arbor, autora de um artigo recente sobre o tema publicado no Jornal Astrophysical, argumentam que as assimetrias percebidas no material denso em torno destas protoestrelas – em escalas apenas algumas vezes maiores que o tamanho do sistema solar – significam que os discos em torno delas estão se alimentando desigualmente. Possivelmente, este fato promove a partição do disco e desencadea a formação de estrelas binárias.

Sejam gêmeas ou não, todas as estrelas são formadas pelo invólucro de gás e poeira que entrou em colapso. Os envólucros continuam a diminuir sob a força da gravidade, até que uma pressão suficiente seja exercida para fundir os átomos e criar uma explosão de energia .

Tobin e sua equipe inicialmente não tinham intenção de testar esta teoria. Eles estavam estudando os efeitos de jatos e fluxos de saída  nos invólucros em torno de estrelas jovens quando perceberam que quase todos eles eram assimétricos. Isso levou-os a investigar mais a fundo – 17 dos 20 invólucros examinados tinham o formato de bolhas em vez de esferas. Os três restantes não eram tão irregulares como os outros, mas também não eram perfeitamente redondos. Já se sabia que muitos dos invólucros continham estrelas gêmeas embrionárias – possivelmente causadas pelos formatos irregulares.

O paralelo existente entre a grande quantidade de invólucros irregulares e estrelas binárias sugere a correlação entre os dois, e pode indicar como as binárias são formadas.

O telescópio Spitzer foi capaz de captar tais imagens detalhadas destes “ovos” estelares porque tem visão de infravermelho altamente sensível, com a qual é possível detectar o  brilho infravermelho fraco da nossa galáxia, a Via Láctea. Os invólucros de poeira ao redor das estrelas jovens bloqueiam a luz de fundo da nossa galáxia, criando a aparência de uma sombra nas imagens do Spitzer.

Agora os pesquisadores pretendem medir a velocidade com que as partículas caem dentro das estrelas em formação usando telescópios de comprimento de onda de rádio.

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