Pesquisa mostra como células inibem formação de "cicatriz excessiva"

Cientistas descobrem resposta celular que desempenha um importante papel ao inibir formação de tecido excessivo em feridas.

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10 Junho 2010 | 17h14

Se fibroblastos não param de agir, tecido da cicatriz começa a ser formado em excesso.

Se fibroblastos não param de agir, tecido da cicatriz começa a ser formado em excesso.

Pesquisadores da Universidade de Illinois em Chicago, nos EUA, descobriram que uma resposta celular inesperada desempenha um papel importante ao inibir a formação de tecido excessivo durante o processo de cicatrização de uma ferida.

Em termos científicos, a equipe observou que fibroblastos – células especializadas na produção de colágeno e elastina – recrutados para um machucado, começam a entrar em estado de dormência reprodutiva (a senescência, ou desaceleração do ciclo celular). Esta circunstância era associada apenas a células que sofriam danos no DNA. Uma forma de impedir a proliferação descontrolada e formação de tumores.

Uma vez dormentes, os fibroblastos levam à degradação da matriz extracelular, acelerando também a degradação do colágeno. “O acúmulo de células senescentes na ferida tem o objetivo biológico de inibir a formação de tecido excessivo na cicatriz”, explica Joon-II Jun, autor do artigo publicado na Nature Cell Biology.


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A equipe também descobriu que é a proteína CCN1 que faz com que os fibroblastos se tornem dormentes. Experiências com ratos modificados, em que a CCN1 não estava ativa, mostraram que fibroblastos não foram convocados a comparecer nas feridas. O resultado? Tecidos em excesso na cicatriz. Após a aplicação da proteína na pele ferida, houve redução do tecido pela presença de fibroblastos senescentes.

Os resultados do trabalho podem ter importantes implicações em diversas áreas da medicina, entre elas condições patológicas relacionadas a cicatrização de tecidos (o diabetes, por exemplo). “A lesão crônica no fígado, por exemplo, causada por diversos fatores, incluindo infecções virais, alcoolismo, diabetes e obesidade, levam à fibrose e podem progredir para a cirrose”, aponta Lester Lau, responsável pelo estudo. “Após um ataque cardíaco, o acúmulo de tecido na cicatriz do coração diminui a sua capacidade de bombear sangue de forma eficiente”.

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