Exame de urina indica problemas renais em pacientes com lúpus

Altos níveis de quatro proteínas na urina de pessoas com danos nos rins podem ajudar na compreensão da doença e dispensar exames invasivos.

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17 Fevereiro 2010 | 17h20

Pesquisadores Chandra Mohan (esquerda) e Tianfu Wu mostraram que exames simples de urina podem indicar danos nos rins em fase precoce. Crédito: Southwestern Medical Center.

Pesquisadores Chandra Mohan (esquerda) e Tianfu Wu mostraram que exames simples de urina podem indicar danos nos rins em fase precoce. Crédito: Southwestern Medical Center.

Um exame simples de urina que indica níveis altos de quatro proteínas pode ser capaz de detectar precocemente danos renais em pessoas com lúpus. Embora a técnica, testada em ratos por pesquisadores do UT Southwestern Medical College, EUA, possa levar anos até ser utilizada clinicamente, é uma maneira bem melhor para identificar problemas de rim do que os usados atualmente.

“Nosso objetivo foi detectar com precisão algo que aparece apenas na urina das pessoas que têm a doença”, explica Chandra Mohan, autor sênior do estudo. “Se este tipo de teste se mostrar eficaz em seres humanos, os médicos poderão prever e diagnosticar uma lesão renal de forma não-invasiva, bem como verificar se os tratamentos estão funcionando”.

Doenças renais são a principal causa de morte e incapacidade em pacientes com lúpus. A detecção precoce e o tratamento podem melhorar a qualidade de vida destas pessoas, oferecendo também uma vida mais longa.

Pesquisas realizadas com ratos mostram que quatro proteínas – protease, PGDS, SAP e SOD – aparecem em maior quantidade na urina dos que apresentam dano renal progressivo. Cada uma destas proteínas pode estar presente em uma pessoa, ou então ter seu equivalente humano. Agora, os cientistas estão estudando se a mesma correlação entre os níveis da proteína ocorre nos seres humanos.

O lúpus é uma das muitas doenças autoimunes que atacam os órgãos internos, tecidos e articulações. No estudo em questão, os pesquisadores centraram as atenções no lúpus eritematoso sistêmico, que afeta os rins – a forma mais grave da doença.

Atualmente, a detecção de danos nos rins é feita por biópsia (uma agulha retira uma amostra do tecido renal), um processo invasivo e estressante para os pacientes.

A detecção das proteínas em níveis elevados nos animais com lúpus pode revelar mais a respeito do mecanismo da doença. Cada proteína está envolvida em um processo bioquímico específico, então a existência de níveis elevados das mesmas em certo estágio do lúpus pode indicar muito sobre o processo autoimune no organismo. 

Além disso, o teste de proteínas pode ainda ter potencial para monitorar pacientes com problemas renais resultantes de diabetes, hipertensão e outras doenças.

Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)

O lúpus é uma doença inflamatória desencadeada por agentes externos desconhecidos (vírus, bactérias ou agentes tóxicos) que entram em contato com o sistema imunológico de uma pessoa que produz uma quantidade inadequada de anticorpos. Os anticorpos agem contra células do próprio organismo, resultando em lesões e alterações no sangue. Ocorre geralmente em mulheres entre 20 e 40 anos de idade.

O LES prejudica com mais frequência o coração, articulações, pele, pulmões, vasos sanguíneos, fígado, rins e sistema nervoso. O tratamento dos sintomas pode ser feito com corticosteroides e imunossupressores. Atualmente, são raros os casos de morte decorrente da doença.