Ateriosclerose pode ser tratada sem redução dos níveis de colesterol

Equipe conseguiu bons resultados interferindo na produção de uma substância em células do sistema imunológico de ratos.

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23 Julho 2010 | 13h00

Imagem mostra o cérebro de um rato antes de ser incapaz de fazer a síntese de ácidos graxos e depois. Partes vermelhas marcam a gordura. Crédito: Washington University School of Medicine.

Imagem mostra o cérebro de um rato antes de ser incapaz de fazer a síntese de ácidos graxos e depois. Partes vermelhas marcam a gordura. Crédito: Washington University School of Medicine.

Pesquisadores da Universidade de Washington, nos EUA, descobriram uma forma de reduzir a aterosclerose de camundongos sem reduzir os níveis de colesterol ou manipular outros fatores relacionados à obesidade. A equipe chegou aos resultados interferindo na produção de uma substância chamada ácido graxo sintase nas células do sistema imunológico conhecidas como macrófagos.

Ácido graxo sintase é uma enzima que converte no fígado os açúcares que consumimos na comida em ácidos graxos. Desempenha, assim, um importante papel no metabolismo energético. Entretanto, ela também está envolvida na aterosclerose: “As placas que obstruem as artérias contêm grandes quantidades de ácidos gordurosos”, explica Clay F. Semenkovich, pesquisador sênior.

A equipe criou ratos incapazes de fazer a síntese de ácidos graxos no principal tipo de célula que contribui para a formação de placas (como é impossível sobreviver sem a síntese de ácidos graxos, eles foram capazes de produzir a substância em outros tecidos do corpo). Mesmo submetidos a uma dieta rica em gorduras – como a de padrão ocidental -, os animais apresentaram menos aterosclerose do que os demais roedores do grupo de controle.

A ateriosclerose é uma doença inflamatória crônica, em que vasos sanguíneos são afetados por placas de lipídeos e tecido fibroso que se acumulam e podem obstruir o canal, causando isquemias – impedindo a oxigenação equilibrada no cérebro ou coração. O problema pode contribuir para ataques cardíacos, derrames e até mesmo gangrena.

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