Descoberta forma de bloquear degeneração da síndrome do X-frágil

Expressão de um RNA tóxico que leva à síndrome de tremor e ataxia associada ao X-frágil pode ser modificada por meios farmacológicos.

root

14 Dezembro 2010 | 09h10

Pesquisadores usaram um modelo para a síndrome do X-frágil com moscas de frutas. Crédito: Universidade de Michigan.

Pesquisadores usaram um modelo para a síndrome do X-frágil com moscas de frutas. Crédito: Universidade de Michigan.

A expressão de um RNA tóxico que leva à síndrome de tremor e ataxia associada ao X-frágil pode ser modificada por meios farmacológicos ou genéticos, de acordo com uma nova pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan, nos EUA.

A síndrome de tremor e ataxia associada ao X-frágil ocorre geralmente em adultos mais velhos (que muitas vezes também têm netos com X-frágil), que são afetados pela forma adulta do distúrbio, como a síndrome da marcha lenta, tremores, demência e problemas de equilíbrio. Os sintomas são causados por uma superprodução de um micro RNA tóxico no cérebro que causa a neurodegeneração.

“Descobrimos que a expressão deste mRNA tóxico é dinâmica e modificável”, diz Peter K. Todd, autor do artigo publicado na revista online Public Library of Science Genetics. “Existe um potencial para modificar o aumento da produção de RNA tóxico com drogas que inibem a acetilação das histonas”.


Descoberta há apenas uma década, a síndrome de tremor e ataxia associada ao X-frágil é um dos três distúrbios conhecidos resultantes do X-frágil, decorrentes de uma alteração genética. O gene xo X-frágil, modificado, pode ser transmitido através das gerações, afetando ambos os sexos em fases distintas da vida. É também a causa mais comum do atraso no desenvolvimento dos meninos, sendo na maioria das vezes responsável pelo autismo.

Em experimentos com moscas e células humanas em laboratório, os pesquisadores descobriram que drogas podem inibir as acetiltranferases de histonas modificando as alterações cerebrais associadas à síndrome, fornecendo um caminho para o alvo terapêutico.

“Estas drogas que usamos são muito tóxicas para se usar em pacientes, mas o dado importante é que temos uma ideia melhor do que está dirigindo esta síndrome e a prova de princípio de que as mudanças no cérebro podem ser induzidas”, ressalta Todd. “Nossos resultados sublinham a necessidade de desenvolver modificadores mais específicos de expressão no gene X-frágil, com o objetivo de logo prazo no desenvolvimento de terapia preventiva em pacientes com síndrome de tremor e ataxia associada ao X-frágil”.

Team
Discovering how to block neurodegeneration of the fragile X syndrome