Esteroide encontrado no extrato de romã aumenta contrações uterinas

Elevado índice de beta-sitosterol pode ter efeitos no músculo uterino, abrindo portas para o desenvolvimento de um substitudo da oxitocina.

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28 Janeiro 2010 | 19h18

Romã pode ter mais propriedades medicinais do que se imaginava. Esteroide presente na semente pode auxiliar nas contrações do músculo uterino.

Romã pode ter mais propriedades medicinais do que se imaginava. Esteroide presente na semente pode auxiliar nas contrações do músculo uterino.

Que romã dá sorte, todo mundo já sabe. A novidade é que o extrato de sua semente também tem o poder de estimular as contrações do útero, podendo ser usada futuramente para auxiliar o trabalho de parto – de uma forma bem natural.

Uma equipe formada por pesquisadores da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, e da Universidade de Tecnologia da Tailândia identificou que o extrato da semente de romã possui um índice elevado do esteroide beta-sitosterol (conhecido pela capacidade de inibir a absorção do colesterol pelo intestino).

O suco de romã é bastante conhecido por suas propriedades medicinais, tanto de abaixar o colesterol e a pressão arterial, como também proteger contra o câncer. Mas, até então, ninguém sabia que o seu consumo poderia de alguma maneira atuar no útero. Os resultados da atual pesquisa mostram que a substância tem efeitos também no músculo uterino.

Atualmente, a maioria das mulheres com contrações fracas em trabalho de parto são medicadas com oxitocina – um hormônio que ajuda em apenas metade dos casos, favorecendo o procedimento cirúrgico para a retirada do bebê.

Segundo os pesquisadores, ao aplicar o esteroide em amostras de tecidos de animais, as células do músculo passaram a ter maior atividade. A explicação estaria no aumento de cálcio, necessário para fazer o músculo contrair, mas que geralmente é afetado por hormônios, impulsos nervosos e uso de medicamentos.

Agora, falta aos cientistas descobrir como o esteroide pode aumentar o nível de cálcio. De qualquer maneira, a nova descoberta já é um avanço para entender como melhorar a atuação do útero da mulher em um trabalho de parto.