Falhas de julgamento explicam comportamento cooperativo

Erros ou “comportamentos imperfeitos” dos jogadores em um jogo podem levar a uma predisposição sistemática do quanto eles podem cooperar.

taniager

19 Maio 2010 | 14h20

Em jogos de economia as pessoas podem escolher entre manter ou distribuir seu dinheiro. Crédito: cortesia da Universidade de Oxford.

Em jogos de economia as pessoas podem escolher entre manter ou distribuir seu dinheiro. Crédito: cortesia da Universidade de Oxford.

Pesquisadores da Universidade de Oxford, EUA, Universidade de Edimburgo, Alemanha, e da Universidade de Lausanne, Suíça, realizaram experiências para entender a evolução do comportamento altruísta e egoísta no ser humano. As conclusões têm implicações importantes para a teoria da evolução. O estudo foi publicado no PNAS nesta semana.

Os comportamentos de 168 pessoas foram analisados enquanto elas jogavam jogos de economia. As quatro experiências que foram feitas levaram em conta vários grupos de quatro jogadores em posse de 40 unidades monetárias cada um. Os jogadores podiam escolher entre ser recompensado por gastar seu dinheiro em um projeto público ou não ser recompensado por guardá-lo para si.

O professor Stuart West da Universidade de Oxford, líder do estudo, argumenta que mesmo aumentando o prêmio de cooperação para que os jogadores contribuissem com 100% de seu dinheiro,  a média das pessoas contribuiu com menor porcentagem.  Mesmos quando a cooperação plena podia trazer o melhor retorno financeiro, 66 a 94% das pessoas ainda viam seus colegas de jogo como seus concorrentes.

A pesquisa mostra que erros ou “comportamentos imperfeitos” dos jogadores em uma partida do jogo pode levar a uma predisposição sistemática do quanto eles podem cooperar.

O resultado sugere que as pessoas envolvidas no estudo procuraram se manter fora de padrões radicais, escolhendo sempre condutas que se enquadravam entre comportamento egoísta e comportamento cooperativo. West explica que as escolhas derivam de uma psicologia para evitar comportamentos extremos, pois eles poderiam ser muito dispendiosos se errados, ou indicam que uma espécie de regras simples do dia-a-dia orientam este tipo de falha de julgamento  em uma situação experimental extrema.

As conclusões têm implicações importantes para a teoria da evolução. Elas  desafiam a necessidade de novas teorias evolucionárias (como reciprocidade forte) para explicar como tal comportamento aparentemente altruísta pode evoluir.

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