Cérebro de crentes está mais preparado para lidar com erros

Explicação estaria no fato de que pensar em Deus é uma forma de ordenar o mundo e explicar eventos aparentemente aleatórios.

root

04 Agosto 2010 | 16h14

A equipe acredita que a explicação esteja no fato de que pensar em Deus é uma forma de ordenar o mundo e explicar eventos aparentemente aleatórios, reduzindo os sentimentos de angústia.

A equipe acredita que a explicação esteja no fato de que pensar em Deus é uma forma de ordenar o mundo e explicar eventos aparentemente aleatórios, reduzindo os sentimentos de angústia.

Deus pode ajudar. Mas apenas os que têm fé. Não, isso não está somente na Bíblia: foi publicado na revista especializada Psychological Sciences. Pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, mostram que ondas cerebrais específicas podem atuar de forma diferente em religiosos. Pessoas preparadas com pensamentos religiosos têm uma resposta menos proeminente a erros do que as demais.

“Oitenta e cinco por cento do mundo tem algum tipo de crença religiosa”, ressalta Michael Inzlicht, um dos responsáveis pelo estudo. “Acho que cabe a nós, como psicólogos, estudar por que as pessoas têm estas crenças, explorando, se for o caso, para que elas podem servir”.

Realizando dois experimentos, os pesquisadores mostraram que quando pessoas pensam em religião e Deus, seus cérebros respondem diferentemente. Esta reação permite que contratempos sejam absorvidos com menos sofrimento. Erros não induzem maiores ansiedades.

A equipe observou que quando as pessoas foram condicionadas a pensar em Deus, de forma consciente ou inconsciente, a atividade de áreas do cérebro compatíveis com o córtex cingulado anterior – associada a regulação dos estados corporais de excitação e ao serviço de alerta quando as coisas não vão bem (inclusive quando cometemos erros) – diminuía. Ateus, no entanto, reagiram de forma diferente. Ao ser induzidos inconscientemente com ideias sobre Deus, o córtex cingulado anterior teve atividade aumentada.

A equipe acredita que a explicação esteja no fato de que pensar em Deus é uma forma de ordenar o mundo e explicar eventos aparentemente aleatórios, reduzindo os sentimentos de angústia. Em ateus, os pensamentos sobre Deus podem contradizer o sistema vigente no cérebro, causando um estresse maior.

“Embora não seja inequívoca, há evidências de que pessoas religiosas vivem mais tempo e tendem a ser mais felizes e mais saudáveis”, afirma Inzlicht. “Os ateus não devem se desesperar por causa disso. Achamos que isso pode ocorrer com qualquer sistema de significado que forneça estrutura e ajude as pessoas a compreender o seu mundo. Talvez, os ateus fiquem melhor se estiverem preparados para pensar sobre as suas próprias crenças”.

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