Fêmeas com múltiplos parceiros garantem sobrevivência da espécie

Estudo com moscas Drosophila pseudoobscura mostra que ter múltiplos parceiros pode suprimir a difusão do "perigoso" cromossomo SR.

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27 Fevereiro 2010 | 19h05

Experimento com moscas Drosophila pseudoobscura mostra que promiscuidade é uma arma natural contra a extinção da espécie. Crédito: University of Exeter.

Experimento com moscas Drosophila pseudoobscura mostra que promiscuidade é uma arma natural contra a extinção da espécie. Crédito: University of Exeter.

Você já deve ter ouvido discursos calorosos sobre as necessidades biológicas do homem, ou participado da leva que defende a ideia de que indivíduos do sexo masculino têm, “por natureza”, uma disposição para procurar sempre novas parceiras. Mas parece que o inverso é verdadeiro: pesquisadores da Universidade de Liverpool e Universidade Exeter, na Inglaterra, mostram que a promiscuidade entre as fêmeas é essencial para a sobrevivência da espécie. É por este motivo que entre tantos animais, indivíduos femininos superam o risco para acasalarem com diversos machos.

O fenômeno, conhecido como “poliandria”, ocorre na maioria das espécies animais – dos insetos aos mamíferos. Mais crias representam menor risco de extinção, já que a probabilidade de gerarem filhotes heterozigotos é maior (pois passarão cromossomos X e Y). Fêmeas só possuem cromossomos X, mas, em alguns machos, o cromossomo Y morre no espermatozoide antes da fertilização em função de uma distorção sexual do cromossomo SR. Esta “falha” pode ser passada para seus descendentes, prejudicando a evolução da espécie.

Para o estudo, os pesquisadores trabalharam com a mosca Drosophila pseudoobscura. Deram às fêmeas a oportunidade de acasalarem com vários parceiros. Outras eram restritas a apenas um companheiro. Observaram depois várias gerações da população. Após 15 gerações, cinco de 12 populações monogâmicas foram extintas, em consequência da prevalência feminina. Nenhuma das populações em que fêmeas tiveram a chance de ter múltiplos parceiros acabaram.

O estudo mostra como ter múltiplos parceiros pode suprimir a difusão do cromossomo SR. Isso ocorre porque os machos que carregam o cromossomo SR produzem apenas metade dos espermatozóides de machos normais. Quando a fêmea copula com diversos parceiros, os espermatozóides competem para fertilizar os ovos – e os de cromossomo SR tendem a perder a competição ao longo da evolução.

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