Fetos do sexo masculino respondem de forma diferente ao estresse

Doenças, tabagismo e problemas emocionais podem afetar o feto no útero de um modo geral, mas não da mesma maneira.

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02 Maio 2010 | 01h21

Em meninas, o aumento do cortisol produz mudanças nas funções da placenta que levam à redução no crescimento.

Em meninas, o aumento do cortisol produz mudanças nas funções da placenta que levam à redução no crescimento.

Pesquisadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, mostraram que bebês do sexo masculino reagem de forma diferente ao estresse dentro do útero do que ocorre com as meninas. Doenças, fumo e problemas emocionais podem afetar o feto no útero de um modo geral, mas não da mesma maneira.

“O que descobrimos é que bebês do sexo masculino e feminino irão responder a um estresse durante a gestação ajustando o crescimento diferentemente”, explica Vicki Clifton, responsável pela pesquisa.

“Quando a mãe está estressada, o sexo masculino finge não estar acontecendo nada e continua crescendo, de forma a se tornar o maior possível. O sexo feminino, em resposta a este estresse, vai reduzir um pouco a taxa de crescimento, não a ponto de parar seu crescimento, apenas reduzindo um pouco”.

A pesquisadora explica que quando há outra complicação na gestação (um tipo diferente de estresse ou o uma “segunda dose”) elas continuarão crescendo da mesma maneira e tendem a ficar saudáveis com a situação. Os meninos, no entanto, não lidam bem com isso e há um risco maior de parto prematuro, crescimento estacionado ou aborto.

A resposta específica do sexo foi observada em mulheres com complicações na gravidez ocasionadas por asma, pré-eclampsia e tabagismo, mas também pode acontecer em eventos psicológicos estressantes. A explicação estaria no cortisol. Em meninas, o aumento deste hormônio produz mudanças nas funções da placenta que levam à redução no crescimento.  

“Estamos observando quais eventos durante a gravidez causam mudanças na forma que os bebês crescem, o que está por trás disso e jeitos melhores de lidar com gestantes e seus bebês”, ressalta Clifton. A pesquisa pode levar ao desenvolvimento de terapias específicas para evitar partos prematuros, bem como auxiliar obstetras a interpretarem o crescimento do feto de uma forma mais abrangente.

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