Diabéticos poderão medir glicose no sangue com luz infravermelha

Pesquisadores desenvolveram uma nova maneira de medir os níveis de glicose no sangue apenas iluminando uma região da pele.

taniager

09 Agosto 2010 | 11h30

Os pesquisadores desenvolveram uma nova maneira de medir os níveis de glicose no sangue apenas iluminando uma região da pele com luz infravermelha. Crédito: cortesia de Patrick Gillooly.

Os pesquisadores desenvolveram uma nova maneira de medir os níveis de glicose no sangue apenas iluminando uma região da pele com luz infravermelha. Crédito: cortesia de Patrick Gillooly.

Pesquisadores do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) estão desenvolvendo um dispositivo não invasivo, que utiliza luz para medir o nível de glicose no sangue.  O aparelho poderá beneficiar milhões de pessoas com diabetes tipo 1, as quais são obrigadas a se picarem várias vezes ao dia para coletar sangue para o teste.

Idealizado pela primeira vez por Michael Feld, professor de física e ex-diretor do laboratório de espectroscopia do MIT, a técnica usa espectroscopia Raman, um método que identifica compostos químicos com base na frequência de vibrações das ligações que mantêm as moléculas unidas. A técnica pode revelar os níveis de glicose pela simples aproximação de luz infravermelha no braço ou no dedo, eliminando a necessidade das torturantes agulhas para  coletar o sangue do paciente.

O aparelho de espectroscopia Raman, que está sendo desenvolvido  pelos estudantes Ishan Barman e Chae-Ryon Kong, tem o tamanho de um laptop e poderá ser utilizado em um consultório ou na casa do paciente.

Os pesquisadores do laboratório de espectroscopia estão tentando desenvolver esta tecnologia faz 15 anos. Um dos principais obstáculos que eles têm enfrentado é o de que a luz infravermelha penetra apenas metade de um milímetro abaixo da pele. Assim, somente é possível fazer o registro do nível de glicose do fluido que banha as células da pele (conhecido como fluido intersticial), e não a quantidade no sangue. Para resolver este problema, a equipe utilizou um algoritmo que relaciona as duas concentrações, permitindo prever níveis de glicose no sangue pela concentração de glicose no fluido intersticial.

No entanto, esta calibração torna-se mais difícil imediatamente após o paciente comer ou beber algo doce, porque a glicose no sangue sobe rapidamente, enquanto no fluido intersticial leva de cinco a 10 minutos. Consequentemente, as medições de fluido intersticiais não dão uma imagem fiel do que está acontecendo na corrente sanguínea.

Para resolver esse tempo de latência, Barman e Kong desenvolveram um novo método de calibração, denominado Correção de Concentração Dinâmica (DCC, sigla em inglês), que incorpora a taxa na qual a glicose se difunde do sangue para o fluido intersticial.

Os pesquisadores descrevem o novo método de calibração e seu resultado na revista Analytical Chemistry.