Fim das picadas: insulina estável que não precisa ser refrigerada é criada

Pesquisa mostra que administração de insulina poderá, no futuro, ser feita em pílulas e ser conservada mesmo em ambientes quentes.

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15 Junho 2010 | 12h06

Pesquisa mostra que administração de insulina poderá, no futuro, ser feita em forma de pílulas. Crédito: Monash University.

Pesquisa mostra que administração de insulina poderá, no futuro, ser feita em forma de pílulas. Crédito: Monash University.

A dor de cabeça de um diabético pode ser mesmo conservar a insulina. Agora, uma equipe da Universidade de Monash, Austrália, conseguiu reforçar sua estrutura química sem afetar sua atividade. Significa que ela não precisa ser refrigerada. Mais: ela poderia ser administrada de uma forma diferente, deixando de lado as terríveis injeções. 

A novidade ainda está na fase de negociação de patentes e parcerias comerciais, mas em breve o que foi conseguido em laboratório poderá entrar na casa dos diabéticos. “Mais de 200 milhões de pessoas precisam de insulina para controlar o diabetes, mas ainda não sabemos como isso funciona em nível molecular”, explica Bianca van Lierop. A equipe tenta agora usar estes conhecimentos para desenvolver uma forma de insulina que pode ser vendida em forma de pílula. 

Para que resfriar 


A instabilidade da insulina é explicada pela estrutura química. Construída a partir de duas cadeias de proteínas diferentes, que estão unidas por pontes instáveis de dissulfeto, pode começar a degradar em temperaturas acima de 4ºC. Isso dificulta a vida do diabético, principalmente em regiões mais quentes. 

Por meio de uma série de reações químicas, os pesquisadores conseguiram substituir vínculos estáveis por ligações fortes à base de carbono. “Esta substituição não altera a atividade natural da insulina, mas parece aumentar significativamente a sua estabilidade”, ressalta o pesquisador. 

As novas insulinas seriam estáveis em temperatura ambiente, podendo inclusive ser armazenadas em locais mais quentes por vários anos, sem degradação ou perda de atividade. Estas moléculas podem, no futuro, se tornar base de tratamentos que seriam administrados oralmente – eliminando de vez as desagradáveis injeções.

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