Descoberto padrão familiar de instabilidade em nuvens solares

A descoberta poderia ajudar em muito os físicos que tentam entender e prever o “clima” de nosso sistema Solar.

taniager

08 Fevereiro 2011 | 16h14

Imagem clara de nova CME estudada por Claire Foullon – imagem fornecida pelo experimento Atmospheric Imaging Assembly (AIA) no Observatório Solar de Dinâmicas (SDO)da NASA. Crédito: NASA.

Imagem clara de nova CME estudada por Claire Foullon – imagem fornecida pelo experimento Atmospheric Imaging Assembly (AIA) no Observatório Solar de Dinâmicas (SDO)da NASA. Crédito: NASA.

Físicos da Universidade de Warwick constataram a formação de instabilidades em nuvens de material de explosão do Sol quando examinavam novas imagens. Perceberam que estas instabilidades eram muito parecidas às vistas nas nuvens da atmosfera terrestre. A descoberta poderia ajudar em muito os físicos que tentam entender e prever o “clima” de nosso sistema Solar.

As nuvens de material solar lançadas pelas explosões são conhecidas como ejeções de massa coronal (CMEs). As imagens das CMEs foram tiradas no ultravioleta extremo pelo Observatório de Dinâmica Solar (SDO) da NASA lançado no ano passado e fornecem detalhes do Sol em várias temperaturas nunca obtidas antes – a até aproximadamente 11 milhões de graus célsius.

Ao analisar as imagens, os pesquisadores pontuaram um padrão familiar de instabilidade em um flanco de uma nuvem solar que se parece muito com as instabilidades vistas em nuvens da Terra e as ondas na superfície dos mares.

Quando observadas, estas instabilidades Kelvin-Helmholtz (ou KH) parecem se acumular em giros crescentes nas fronteiras entre os materiais que estão em velocidades diferentes, como a transição entre o ar e a água ou a nuvem, por exemplo. A diferença nas velocidades produz as instabilidades na região fronteiriça.

Condições semelhantes podem ocorrer quando se olha para o ambiente magnético dos trajetos traçados por estas ejeções que viajam através da corona solar. A diferença das velocidades e das energias entre os dois cria as instabilidades KH muito semelhantes ao que podemos observar nas nuvens.

Esta é a primeira vez que as instabilidades foram observadas diretamente na corona. O que faz esta observação ainda mais interessante é que as instabilidades parecem formar e desenvolver um flanco na CME. Isto pode explicar por que as CMEs parecem dobrar e torcer na medida em que estas instabilidades são desenvolvidas e causam arrastos em um lado da nuvem. Esse efeito será o próximo foco de estudo da equipe de pesquisa.

Segundo a pesquisadora Claire Foullon, do Centro de Fusão, Espaço e Astrofísica da Universidade de Warwick, a descoberta de que as instabilidades KH nas CMEs somente são observáveis em ultravioleta extremo à temperatura de 11 milhões de graus ajudará na modelagem do comportamento da CME.

“Esta nova observação pode nos dar uma visão nova do por que destas CMEs parecerem girar e não seguir um simples caminho reto a partir da superfície do Sol. Se as instabilidades se formam em apenas um flanco, elas podem aumentar o arrasto de um lado da CME, fazendo-o mover-se mais lentamente do que o resto da CME”.

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