Fósseis de dentes humanos intrigam antropólogos

Tamanho e a forma são muito semelhantes aos do homem moderno, mas bem mais antigos que os descobertos em outros sítios em Israel.

taniager

09 Fevereiro 2011 | 20h09

Dentes humanos encontrados em um sítio próximo a Rosh Haain em Israel estão fornecendo novas informações sobre a origem do homem moderno. Crédito: Rolf Quam.

Dentes humanos encontrados em um sítio próximo a Rosh Haain em Israel estão fornecendo novas informações sobre a origem do homem moderno. Crédito: Rolf Quam.

A caverna de Qesem próxima a Rosh Haan, Israel, é um sítio arqueológico que vem sendo escavado desde o ano 2000, quando foi descoberto. Recentemente, uma equipe internacional liderada por Israel Hershovitz da Universidade de Tel Aviv anunciou na revista American Journal of Physical Anthropology o resultado das análises feitas em oito dentes humanos encontrados no local, que intrigam os antropólogos.

O tamanho e a forma dos dentes são muito semelhantes aos do homem moderno, Homo sapiens, mas bem mais antigos que os descobertos em outros sítios em Israel como os de Oafzeh e Skhul.

Segundo Rolf Quam, antropólogo da Universidade de Binghamton e membro da equipe de análise, os dentes são de um período entre 200 mil a 400 mil anos atrás, bem mais antigos que restos de Neandertais e Homo sapiens achados com cerca de 60 mil a 150 mil anos. Acrescenta que os fósseis datando a idade dos dentes são raros. Por esta razão, estes dentes são materiais que fornecem novas informações sobre quem foram os ocupantes da região e como se relacionavam com outras espécies do meio onde viviam, além de apresentarem novas evidências acerca da origem do homem moderno.

Os antropólogos supõem que Neandertais e homens modernos compartilharam um ancestral comum que viveu na África há 700 mil anos. Alguns descendentes migraram para a Europa e evoluíram para Neandertais; outros permaneceram na África e se transformaram em Homo sapiens, migrando em seguida para outros continentes.

Se os restos de Qesem puderem ser vinculados diretamente à espécie Homo sapiens, isso poderia significar que o homem moderno ou originou-se no que é agora Israel ou pode ter migrado da África antes do tempo aceito atualmente. Mas, de acordo com Quam, ainda é um desafio identificar com certeza a que espécie os oito dentes pertencem.

Isto porque, apenas alguns dos oito dentes pertencem ao mesmo indivíduo, enquanto a maioria é de espécimes isolados, explicou Quam.  “Temos a certeza que estamos lidando com seis pessoas de idades diferentes. Dois deles são dentes-de-leite, com certeza, o que significa que estes indivíduos eram crianças. Mas o problema é que todos os dentes estão separados, o que torna difícil de determinar quais as espécies com que estamos lidando”.

De acordo com Quam, em vez de confiar em padrões individuais, os antropólogos usam uma combinação de características para obter uma leitura precisa do tipo de espécie. Por exemplo, dentes de Neandertal têm incisivos relativamente grandes e molares e pré-molares muito distintos, enquanto os dentes de Homo sapiens são menores e com incisivos mais laterais e retos.  Às vezes, as diferenças são sutis, mas estas pequenas alterações são muito importantes para a análise.

“Como o dente é uma estrutura que se conserva muito bem, pode fornecer todo tipo de informação interessante de um indivíduo. Pode nos dizer o que este indivíduo comeu, como foram seus padrões de crescimento e desenvolvimento, bem como sua saúde geral enquanto vivia. Pode também nos dizer sobre as relações evolutivas entre as espécies e tudo o que adiciona ao nosso conhecimento sobre quem somos e de onde viemos”, argumenta Quam.

O material arqueológico já recuperado inclui muitas ferramentas de pedra e restos de animal. Todos estão fornecendo aos pesquisadores uma imagem muito informativa da vida diária e das práticas de caça dos antigos habitantes locais.

such as Oafzeh and Skhul.
Found in Israel