Gel injetável poderá revolucionar o tratamento localizado de artrite

O gel poderia permitir aplicação direta em uma articulação afetada e dispensaria as drogas convencionais em tratamentos.

taniager

13 Abril 2011 | 13h58

Pesquisadores do Hospital de Brigham and Women desenvolveram uma maneira potencialmente nova para tratar a artrite. Aqui seu novo gel (vermelho, com retângulos amarelos representando remédios encapsulados) é injetado em uma junta artrítica. Lá (figura em preto), as enzimas associadas com a artrite quebram o gel biodegradável, liberando o medicamento. Crédito: Praveen Vemula, laboratório de Jeffrey Karp, BWH.

Pesquisadores do Hospital de Brigham and Women desenvolveram uma maneira potencialmente nova para tratar a artrite. Aqui seu novo gel (vermelho, com retângulos amarelos representando remédios encapsulados) é injetado em uma junta artrítica. Lá (figura em preto), as enzimas associadas com a artrite quebram o gel biodegradável, liberando o medicamento. Crédito: Praveen Vemula, laboratório de Jeffrey Karp, BWH.

Uma boa notícia para todos aqueles que sofrem com a artrite reumatoide e a osteoartrite foi dada recentemente por pesquisadores do Hospital Brigham and Women (BWH), EUA. Um gel injetável que poderia revolucionar, futuramente, os tratamentos para inúmeras doenças, como as acima citadas, o câncer, a doença ocular e a doença cardiovascular.

A artrite é um bom exemplo de doença que atinge partes específicas do corpo. Os tratamentos convencionais envolvem drogas tomadas oralmente que, além de terem efeito demorado, adicionam efeitos colaterais indesejáveis. Pois, as drogas convencionais não atingem somente o alvo específico, se dispersam por todo o corpo. A dispersão diminui a concentração da medicação nas regiões afetadas e doses maiores são indicadas então para o tratamento, o que pode aumentar o risco de intoxicação de todo o organismo.

Por sua vez, o gel poderia permitir aplicação direta em uma articulação afetada e dispensaria as drogas convencionais em tratamentos, nos quais há uma demanda por respostas às enzimas associadas com as manifestações artríticas.

Jeffrey Karp, líder da pesquisa e codiretor do Centro de Terapêuticas Regenerativas do BWH, explica que, por exemplo, é possível injetar uma droga em uma região alvo. Porém, seu efeito tem duração curta, apenas alguns minutos ou horas, porque é removida do corpo pelo sistema linfático eficiente. Implantar dispositivos de liberação da droga no local afetado também é problemático, pois a rigidez do material deste dispositivo atritaria com a junta e poderia causar inflamação, além de liberar o medicamento continuamente, mesmo quando não fosse mais necessário. A artrite ocorre em ciclos caracterizados por aumento e redução das manifestações.

Um sistema autônomo, que calcula a quantidade de medicamento a ser lançado em resposta a um estímulo biológico, poderia garantir a liberação da droga apenas quando necessário para uma concentração terapêutica relevante, acrescenta Karp.

A equipe desenvolveu um gel que contém um corante substituto da droga, e o expôs às enzimas associadas com a artrite. A “droga” foi liberada e, depois, ao adicionar agentes que inibem as enzimas, a liberação foi interrompida, indicando que o gel pode liberar agentes encapsulados conforme a demanda. Os pesquisadores descobriram que o corante foi liberado também em resposta ao fluido sinovial tirado de juntas com artrite de humanos.

O gel injetado em articulações de ratos permaneceu estável durante dois meses. Agora, a equipe espera testar o gel em experiências com seres humanos.