"Gene do envelhecimento" é associado ao mal de Alzheimer

SIRT1 parece controlar a produção de fragmentos da proteína devastadora, denominada peptídeos beta-amiloide, que formam placas.

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22 Julho 2010 | 15h17

O Alzheimer é a forma mais comum de demência, afetando mais de 25 milhões de pessoas no mundo.

O Alzheimer é a forma mais comum de demência, afetando mais de 25 milhões de pessoas no mundo.

Biólogos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA, descobriram a primeira relação entre placas amiloides que são formadas no cérebro de pacientes com Alzheimer e um gene – SIRT1 – anteriormente associado ao processo de envelhecimento.

Os pesquisadores descobriram que o SIRT1 parece controlar a produção de fragmentos da proteína devastadora, denominada peptídeos beta-amiloide, que formam as placas amiloides. Experiências com ratos geneticamente modificados para desenvolverem placas e sintomas do Alzheimer mostram que memória e aprendizagem melhoram com a superexpressão do SIRT1 no cérebro. Em contrapartida, o déficit cognitivo piora com a exclusão do gene.

O gene SIRT1, que produz proteínas chamadas sirtuínas, regular atividades celulares – especialmente aquelas envolvidas na respota ao estresse e privação de calorias. No estudo em questão, a equipe demonstrou que ele também ativa a produção de uma enzima que cliva as proteínas precursoras amiloides em fragmentos inofensivos, ao invés de peptídeos associados ao Alzheimer.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que afeta cerca de um terço das pessoas com 80 anos ou mais. Os pacientes sofrem perda de memória e outras deficiências cognitivas – provavelmente pelos danos causados por placas amiloides. Estas placas são formadas quando proteínas chamadas precursosas amiloides são quebradas em pequenos peptídeos amiloides.

Um artigo sobre o trabalho, a ser publicado na revista especializada Cell, sugere que drogas que ativam este gene podem ser uma promissora estratégia para combater a doença de Alzheimer.

Ressalva da Universidade do Sul da Califórnia“A superexpressão de SIRT1 não melhora a memória, o que implica que o aumento da quantidade de proteína não pode melhorar a memória”, afirma Valter Longo, biólogo molecular na USC. “Novos estudos com modelos diferentes são necessários, no entanto, para descartar isso”.

Experiências com camundongos mostram que as sirtuínas afetam o metabolismo e outros processos biológicos envolvidos no envelhecimento. Contudo, não são capazes de melhorar a saúde ou prolongar a vida de ratos com dieta rica em gordura. “Este é um tema muito controverso, uma vez que as sirtuínas estão sob intensa investigação e muitos estudos em curso sobre os seus efeitos ativando ou inibindo várias doenças”, explica Longo. De acordo com ele, pode haver uma diferença grande entre proteção e função associada ao desempenho cognitivo.

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De acordo com um estudo conduzido pela Universidade do Sul da Califórnia, também nos EUA, experiências com ratos mostraram que a falta da SIRT1 realmente pode diminuir a capacidade de memória e aprendizagem. No entanto, seus resultados apontam que o aumento nos níveis naturais da proteína SIRT1 não é capaz de melhorar o déficit cognitivo – levantando questões sobre o uso de ativadores de sirtuínas (família de compostos que ativam o gene).