Visão política de um indivíduo pode estar associada a variante genética

O ideólogo é influenciado não apenas por fatores sociais, mas também por um gene receptor de dopamina chamado DRD4.

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28 Outubro 2010 | 16h23

John Locke foi um filósofo inglês e ideólogo do liberalismo, sendo considerado o principal representante do empirismo britânico e um dos principais teóricos do contrato social. Crédito: Wikipedia.

John Locke foi um filósofo inglês e ideólogo do liberalismo, sendo considerado o principal representante do empirismo britânico e um dos principais teóricos do contrato social. Crédito: Wikipedia.

De acordo com uma nova pesquisa das universidades da Califórnia, San Diego, e Harvard, nos EUA, a visão política de um indivíduo pode, em parte, ser resultado de sua composição genética. O ideólogo é influenciado não apenas por fatores sociais, mas também por um gene receptor de dopamina chamado DRD4.

A dopamina é um neurotransmissor que afeta os processos cerebrais que controlam o movimento, a resposta emocional e capacidade de sentir prazer e dor. Pesquisas anteriores identificaram uma ligação entre uma variante desse gene e comportamento de busca de novidade, e este comportamento tem sido associado previamente com traços de personalidade relacionados ao liberalismo político.

A pesquisa, publicada no “The Journal of Politics, pela Cambridge University Press”, centrou-se em 2 mil indivíduos do Estudo Nacional Longitudinal de Saúde do Adolescente. Ao combinar informações genéticas com as informações das redes sociais dos participantes do estudo,  a equipe foi capaz de mostrar que as pessoas com uma variante específica do gene DRD4 teriam maior probabilidade de serem liberais quando adultos – mas apenas se eles tivessem uma vida social ativa na adolescência.

O chefe da pesquisa, James H. Fowler, da Universidade da Califórnia, em San Diego, e seus colegas, trabalham na hipótese de que pessoas com o gene variante buscam novidades e são mais interessados em conhecer o ponto de vista de seus amigos. Como consequência, as pessoas com essa predisposição genética que têm um número maior de amigos do que a média, ficam expostos a uma ampla variedade de normas sociais e estilos de vida, o que pode torná-los mais liberais do que a média.

Os pesquisadores relataram que a interação dos dois fatores é fundamental: a predisposição genética e a convivência com muitos amigos na adolescência. A equipe também mostrou que isso acontece independente de etnia, cultura , sexo ou idade. “Estes resultados sugerem que a filiação política não se baseia apenas no tipo de ambiente social ou na experiência das pessoas”, diz Fowler. “Temos esperança  de que os mais estudiosos começarão a explorar o potencial de interação da biologia e meio ambiente. O caminho é olhar para a replicação em diferentes populações e faixas etárias”.