Gene mutante causador da esquizofrenia é identificado

Cientistas acreditavam que a esquizofrenia podia ser causada por uma mutação genética, mas a prova somente veio agora.

taniager

03 Fevereiro 2011 | 20h25

Dr. Jonathan Sebat. Crédito: Universidade da Califórnia, San Diego.

Dr. Jonathan Sebat. Crédito: Universidade da Califórnia, San Diego.

Cientistas acreditam que a esquizofrenia pode ser causada por uma mutação genética ou por fatores ambientais, mas a prova disso ainda era esperada. A doença é crônica e provoca desordens cerebrais com sintomas de alucinação, delírios e pensamentos desordenados. Em artigo publicado na revista Nature hoje, uma equipe internacional de pesquisadores relata a descoberta de uma mutação genética que está fortemente ligada à desordem cerebral e possui um padrão de sinalização que pode ser tratável com compostos já existentes.

Segundo Jonathan Sebat, chefe da equipe e professor assistente de psiquiatria e medicina celular e molecular da Universidade da Califórnia, na Faculdade de Medicina de San Diego, o trabalho apresenta implicações significativas e imediatas para o tratamento da esquizofrenia e neurobiologia porque o gene identificado pelos pesquisadores é um alvo especialmente atraente para o desenvolvimento de medicamentos.

“De certa forma, este é o tipo do gene que a indústria farmacêutica tem esperado,” disse Sebat. “Sua atividade pode ser modulada por peptídeos sintéticos, e alguns já foram criados”.

Trabalhos anteriores haviam mostrado que uma mutação rara em muitos locais no genoma humano resultava em um risco significante para a esquizofrenia. Estas mutações consistiam de variantes de número de cópias ou CNVs – um tipo de variação genética no qual o número de cópias de um gene difere entre indivíduos. Contudo, os genes específicos envolvidos não haviam sido identificados.

O estudo mais recente vai muito mais longe. Os investigadores rastrearam CNVs nos genomas de 8.290 indivíduos com casos diagnosticados de esquizofrenia e 7.431 indivíduos saudáveis no grupo de controle. “Encontramos ligações muito fortes em vários locais no genoma,” disse Sebat. “Alguns tinham sido detectados antes em estudos anteriores, mas descobrimos algo novo e muito importante: duplicações na ponta do cromossoma 7q foram detectadas em indivíduos com esquizofrenia em uma razão 14 vezes maior do que em indivíduos saudáveis. Estes CNVs impactam um gene que é importante para o desenvolvimento do cérebro – o receptor neuropeptídio VIPR2”.

Formalmente conhecido como Receptor Peptídeo Intestinal Vasoativo 2, o VIPR2 se expressa no sistema nervoso, incluindo o cérebro, vasos sanguíneos e trato gastrointestinal. Estudos anteriores mostraram que o VIPR2 ajuda a regular a formação e a atividade dos neurônios no cérebro. Em ratos, o VIPR2 também foi encontrado desempenhando papéis importantes em processos comportamentais, incluindo a aprendizagem e atividades diárias.

Sebat e sua equipe mediram a expressão do gene VIPR2 em células de sangue de pacientes, e descobriram que indivíduos com mutações tinham maior expressão de VIPR2 e uma maior atividade do receptor. “Concluímos que o efeito das mutações causais é aumentar o volume no padrão de sinalização VIP,” disse Sebat.