Gene "unissex" induz comportamento diferente em machos e fêmeas

Experiências mostram que DSX e fru agem juntos para formar as redes neurais para o comportamento sexual em moscas de frutas.

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22 Março 2010 | 12h56

O DSX e o fru agem juntos para formar as redes neurais para o comportamento sexual. Crédito: Universidade de Oxford.

O DSX e o fru agem juntos para formar as redes neurais para o comportamento sexual. Crédito: Universidade de Oxford.

As diferenças entre os cérebros de machos e fêmeas – e sua utilização – podem ser muito maiores do que se imaginava. Pelo menos nas moscas.  Pesquisadores da Universidade de Oxford e da Universidade de Glasgow mostraram que um gene conhecido como “doublesex” (unissex) – DSX – desempenha um papel importante na determinação de diferentes circuitos cerebrais em machos e fêmeas de moscas de frutas, resultando em comportamentos de gênero específicos.

Há tempos essas moscas são estudadas por pesquisadores, que tentam encontrar as relações entre genes e o comportamento sexual. O cortejo do macho para o ritual de acasalamento é inato, o que sempre sugeriu que o sexo masculino comportasse um gene específico, responsável pelo desenvolvimento de circuitos cerebrais. Entretanto, os pesquisadores mostraram que o gene “fru” não explica todo o comportamento dos machos. As fêmeas com o gene fru ativado demonstraram algumas, mas não todas, características de acasalamento observadas nos machos.

A equipe também demonstrou que o DSX, conhecido por determinar a forma e a estrutura do corpo masculino e feminino na mosca, desempenha um papel importante na formação de circuitos neurais envolvidos no comportamento de cortejo. “O DSX e o fru agem juntos para formar as redes neurais para o comportamento sexual”, explica Stephen Goodwin, do Departamento de Fisiologia, Anatomia e Genética em Oxford.


Enquanto o fru só foi encontrado em insetos, o DSX é observado em todo o reino animal, desempenhando um papel fundamental da determinação do sexo. Isso faz com que o gene desperte um interesse particular nos pesquisadores.

Os pesquisadores mapearam as regiões onde o gene DSX está ativo durante o desenvolvimento de uma mosca, usando marcadores de proteínas fluorescentes. Este destaque mostrou diferenças profundas na arquitetura neural entre moscas do sexo masculino e feminino.

Nos machos, os pesquisadores mostraram que o DSX complementa a atividade da mosca para criar uma rede neural comum. No sexo feminino (em que o fru está inativo), o DSX forma um sistema específico. Em ambos os casos, a equipe conseguiu demonstrar que circuitos de neurônios responsáveis pelo comportamento dos dois sexos.

“Há um tempo os pesquisadores sugerem que existam pequenas diferenças triviais entre circuitos neurais que sustentam o comportamento de machos e fêmeas”, explica Goodwin. “Nós mostramos que, de fato, há uma diferença sutil no número de neurônios, e a maneira como eles se conectam e se comunicam. Estas diferenças podem ter grandes consequências sobre a estrutura e a função do sistema nervoso”.

Um artigo sobre o trabalho foi publicado hoje na Nature Neuroscience.

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