Genes influenciam até quantos cigarros um fumante consome

Novo grupo de variantes genéticas pode estar associado também ao comportamento, ditando a tendência e o consumo do cigarro.

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26 Outubro 2010 | 12h42

Gene CHRNA está ativo em áreas do cérebro ligadas ao vício. Nesta imagem do cérebro de um rato, as áreas mais claras brancas são as regiões em que o gene é altamente ativo. Crédito: Jerry Stitzel, University of Colorado, Boulder.

Gene CHRNA está ativo em áreas do cérebro ligadas ao vício. Nesta imagem do cérebro de um rato, as áreas mais claras brancas são as regiões em que o gene é altamente ativo. Crédito: Jerry Stitzel, University of Colorado, Boulder.

Seus genes podem influenciar tanto o seu vício ao cigarro quanto definir o risco que você terá para desenvolver câncer de pulmão ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). De acordo com uma equipe internacional liderada pela Universidade de Washington, nos EUA, há pelo menos dois grupos de variantes genéticas que ditam a tendência a problemas no cromossomo 15.

Os pesquisadores estudaram 38 mil fumantes. “Montamos um consórcio de todo o mundo e analisamos as variantes do DNA que sabemos causar alterações biológicas em fumantes”, explica Laura Jean Bierut, pesquisadora sênior. “Fomos capazes de demonstrar que ambas as variantes afetam a quantidade que uma pessoa fuma. Então, mostramos que o mesmo padrão de variantes contribui para o câncer de pulmão e DPOC”.

A nicotina, ingrediente principal que vicia no cigarro, se liga a receptores nicotínicos nas células. Estudos anteriores mostraram que uma relação entre parte do cromossomo e genes de receptores nicotínicos. Neste trabalho, a equipe examinou especificamente os genes CHRNA5, CHRNA3 e CHNB4. Várias formas de genes foram associadas com o quanto uma pessoa fuma e, não sem razão, fumantes pesados acabaram tendo mais risco para doenças pulmonares.

“Estudos anteriores mostraram associações entre as variantes genéticas para o tabagismo”, diz Nancy L. Saccone, principal autora do estudo. “A conclusão importante de nossa análise é que um novo grupo de variantes também está associado ao comportamento do fumante, ressaltando ainda mais esta área como um alvo importante para o seguimento de estudos para melhor compreender os mecanismos subjacentes a essas associações”.

Diferente de outros trabalhos, a pesquisa não observou todo o genoma para encontrar regiões específicas que seriam alteradas em fumantes. O estudo partiu da hipótese de que o câncer de pulmão em fumantes está ligado ao nível e concentração genética de genes receptores nicotínicos. Entretanto, as duas abordagens produzem resultados semelhantes. Outra diferença entre os trabalhos foi que o grupo em questão também analisou três problemas: a dependência, o câncer de pulmão e o DPOC.

“Demonstrando que as três doenças estão relacionadas ao comportamento de fumar não prova que existe um efeito biológico direto, ligando a dependência à nicotina ao câncer ou DPOC, mas você certamente não poderá descartá-la”, diz Bierut. “É realmente impressionante que este gene é um forte comportamento de condução viciante e que está também relacionado ao câncer de pulmão e DPOC”.

As funções do gene CHRNA5 atuam tanto no pulmão como no cérebro, envolvendo-se em regiões associadas ao comportamento de vício. “Há um centro de recompensa no cérebro. O centro é ativado como o vício e o gene é claramente ativos nessa região”, diz Bierut. “Mas, os genes atuam também atuam nos pulmões, o que significa que precisamos questionar se este gene está simultaneamente levando à patologia de dependência no cérebro e contribuindo para a DPOC e o câncer”.