Genoma da tartaruga revela ‘arma’ contra danos da privação de oxigênio

Genoma da tartaruga revela ‘arma’ contra danos da privação de oxigênio

Da redação

03 Abril 2013 | 20h55

Por que as tartarugas vivem tanto? Como elas conseguem ficar com pouco oxigênio ao hibernar? O que as distingue de outros seres vivos? Pesquisadores norte-americanos acabam de decodificar o genoma de uma das espécies mais abundantes no planeta (C.p.bellii) e encontraram respostas para alguns de seus enigmas.

Na verdade, a tartaruga é bem mais parecida geneticamente com os vertebrados – e humanos – do que se supunha. Além disso, está mais relacionada com os pássaros do que com os lagartos e cobras. Finalmente, ela não dependeu de novos genes para suas adaptações fisiológicas ao longo de seu lento processo evolutivo. Em vez disso, soube usar antigos recursos de uma forma diferente, adquirindo características invejáveis: resistência ao envelhecimento, possibilidade de reprodução em idades avançadas e capacidade de congelamento e descongelamento sem dano a órgãos e tecidos.

Ao identificar 19 genes no cérebro e 23 no coração que são ativados na privação de oxigênio, a equipe descobriu que a expressão do gene APOLD1 aumenta 130 vezes em tartarugas em estado letárgico. Como o homem também possui esse gene, os cientistas estão animados com a possibilidade de ter em mãos um novo alvo para a prevenção e o tratamento de algumas doenças, especialmente as cardiovasculares (o infarto, por exemplo, é causado pela necrose de parte do coração pela falta de nutrientes ou oxigênio).

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