Geofísicos mostram que Terra e Lua são mais novas do que se acreditava

Conclusão de um novo estudo mostra que Terra e Lua nasceram 150 milhões de anos após formação do Sistema Solar, e não 30 milhões.

taniager

07 Junho 2010 | 18h05

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A colisão entre a "proto-Terra" e Theia, a partir do qual a Terra e a Lua foram criadas 4.500-4.400 milhões de anos atrás. Ambos os planetas tinham um núcleo de ferro maciço quando colidiram e a Lua e a Terra foram criadas. Crédito: cortesia da Universidade de Copenhagen.

Terra e Lua são mais novas do que se pensa. A conclusão de um novo estudo mostra que elas nasceram 150 milhões de anos após a formação do Sistema Solar, e não 30 milhões, como se acreditava.

O estudo foi realizado pela geofísica Tais W. Dahl, do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhagen, Dinamarca, em colaboração com o professor David J. Stevenson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), EUA. Os resultados foram publicados pelo Instituto dinamarquês neste último domingo.

Segundo a teoria vigente, os planetas do sistema solar foram formados pelas fusões entre planetas anões que iam colidindo entre si até formarem planetas maiores, enquanto orbitavam o Sol recém-nascido. A Terra e a Lua foram criadas como resultado de uma colisão entre dois planetas gigantes do tamanho de Marte e Vênus. A colisão que durou 24 horas, elevou a temperatura a sete mil graus Celsius. Pensando na alta temperatura, em que núcleos de ferro e superfícies rochosas se fundem, os cientistas calcularam a idade da Terra e seu satélite. Estas evidências indicaram seus nascimentos 30 milhões de anos após a formação do Sistema Solar.

Agora, o estudo recente demonstra que nossas conhecidas nasceram 150 milhões de anos depois de o Sistema Solar ter sido formado.

Para chegar a esta conclusão, Dahl utilizou isótopos de tungstênio, pois eles podem revelar se houve, de fato, fusão de núcleos de ferro e superfícies rochosas na colisão.

A idade da Terra e da Lua pôde ser datada pelo exame da presença de certos elementos no manto da Terra. Háfnio-182 é uma substância radioativa, que se deteriora e é convertida em isótopos de tungstênio-182. Os dois elementos têm propriedades químicas muito diferentes, pois os isótopos de tungstênio se ligam ao metal, enquanto o háfnio se liga aos silicatos, ou seja, às rochas.

O háfnio leva de 50 a 60 milhões de anos para decair e se converter em tungstênio e, durante a colisão que formou a Lua, quase todos os metais afundaram no núcleo da Terra. Mas todo tungstênio foi parar no núcleo?

Para estudar a qual grau metal e rocha se fundem durante as colisões que formam planetas, os pesquisadores usaram cálculos de modelo dinâmico da mistura de rocha líquida e massas de ferro. Eles descobriram que os isótopos de tungstênio na formação inicial da Terra permaneceram no manto rochoso.

Os novos estudos indicam que a colisão que formou a Lua ocorreu depois que todo o háfnio decaiu completamente em tungstênio. Então todo o tungstênio deveria estar no núcleo, a menos que não tenha existido fusão total entre metal e rocha.

Dahl argumenta que os resultados mostram que o núcleo de metal e rocha são incapazes de emulsificar em colisões entre planetas com diâmetros superiores a 10 quilômetros. Portanto, a maior parte do núcleo de ferro (80-99%) da Terra não removeu o tungstênio do material rochoso no manto durante sua formação.

O resultado da pesquisa significa que a Terra e a Lua devem ter sido formadas muito mais tarde do que se pensava. Ou seja, não de 30 milhões de anos após a formação do Sistema Solar, 4.567 milhões de anos atrás, mas talvez até 150 milhões de anos após a formação de nosso sistema.