Grávidas carregam diversas substâncias químicas já proibidas

Algumas substâncias químicas foram proibidas desde 1970 e são originárias de antiaderentes de panelas, alimentos processados e higiene.

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14 Janeiro 2011 | 12h24

Bisfenol A também está presente em muitos materiais plásticos, como algumas mamadeiras. Especialistas alertam para o risco de câncer associado ao produto químico. Crédito: Yale School of Medicine.

Bisfenol A também está presente em muitos materiais plásticos, como algumas mamadeiras. Especialistas alertam para o risco de câncer associado ao produto químico. Crédito: Yale School of Medicine.

O organismo de praticamente todas as mulheres grávidas dos Estados Unidos carrega várias substâncias químicas, incluindo algumas proibidas desde a década de 1970 e outras usadas na fabricação de produtos como antiaderentes de panelas, alimentos processados e higiene. De acordo com um novo estudo da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos EUA, é a primeira vez que pesquisadores identificam detalhadamente a quais produtos químicos as gestantes são expostas.

Analisando dados de 163 substâncias químicas, a equipe detectou bifelinos policlorados (PCB), pesticidas organoclorados, compostos perfluorados (PFCs), fenóis, éteres difenil polibromados (PBDEs), entre outras. Compostos utilizados com retardadores de chama, agora proibidos em muitos estados, e de pesticidas proibidos desde 1972 estavam presente no corpo das mulheres avaliadas.

O bisfenol A (BPA), que torna o plástico duro e claro e é encontrado em resinas epóxi (e que é utilizado para alinhar o interior de latas de alimentos e bebidas), foi identificado em 96% das mulheres. A exposição pré-natal ao bisfenol tem sido associada a resultados adversos para a saúde, afetando o desenvolvimento do cérebro e aumentando o risco ao câncer, além de colaborar para a infertilidade.

“Vários destes produtos químicos em mulheres grávidas foram observados nas mesmas concentrações que têm sido associados aos efeitos negativos em crianças”, ressalta Tracey Woodfruff, diretora do programa em saúde reprodutiva da universidade. “Além disso, a exposição a múltiplas substâncias químicas pode aumentar o risco de resultados adversos na saúde com um impacto maior do que a exposição de apenas um produto”.

A exposição a produtos químicos durante o desenvolvimento fetal mostrou ser capaz de aumentar o risco de prematuridade, defeitos de nascimento, morbidade e mortalidade por doenças na maturidade. Além disso, estas substâncias podem atravessar a placenta e ser absorvidas pelo feto.

“Nossas descobertas indicam vários cursos a serem tomados. Em primeiro lugar, pesquisas adicionais são necessárias para identificar as fontes dominantes de exposição a substâncias químicas e como elas influenciam a nossa saúde, em especial na reprodução”, explica Woodruff. “Em segundo lugar, como os indivíduos podem agir em suas vidas cotidianas para se proteger das toxinas”.