Capacidades de cognição permanecem inalteradas em grávidas e mães

Estudo australiano avaliou mais de mil mulheres para mostrar que gestação e maternidade não alteram o cérebro da mãe, como pesquisas indicavam.

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02 Fevereiro 2010 | 23h22

Grávidas têm as mesmas capacidade cognitivas que uma mulher que nunca ficou grávida.

Grávidas têm as mesmas capacidade cognitivas de uma mulher que nunca ficou grávida.

A velha crença de que a grávida tende a sofrer lapsos de memória foi derrubada por pesquisadores da Universidade Nacional da Austrália. Segundo o estudo publicado na edição deste mês do British Journal of Psychiatry, não existem evidências de que a maternidade afete o cérebro da mulher.

O time de pesquisadores, liderados por Helen Christensen, do Centro de Pesquisa em Saúde Mental da universidade, recrutou 1.241 mulheres entre 20 e 24 anos. Quatros áreas do conhecimento foram avaliadas: velocidade de cognição, memória em progresso e lembranças imediatas e tardias. O grupo de mulheres foi observado em intervalos de quatro anos entre 2003, a partir dos mesmos testes cognitivos.

Os pesquisadores não encontraram diferenças significativas nas alterações cognitivas para as mulheres que estavam grávidas durante as avaliações e aquelas que não estavam. Mais: não existiam diferenças significativas entre mulheres que se tornaram mães, das que não eram mães. Os resultados vão contra o que alguns estudos anteriores indicavam.

“Há não muito tempo, gravidez era ‘confinamento’ e a maternidade significava o fim das aspirações profissionais. Nossos resultados mostram que mães têm tanto intelecto quanto outras”, disse Christensen.“As mulheres e seus companheiros precisam parar de atribuir lapsos de memória comum ao aparecimento de um bebê”.

O pesquisador acrescenta, dizendo que mães são preparadas para olhar atentamente aos sinais do cérebro do bebê. Mas parte do problema vem, sobretudo, dos manuais de gravidez – que dizem que problemas de memória e concentração devem ser esperados também.

Lembra disso?

Outro estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de New South Wales, também na Austrália, indicava em 2008 que grávidas sofriam de uma pequena perda de memória (sim!), devido às mudanças hormonais e por causa da ansiedade no período de gestação. A progesterona (hormônio produzido em grande quantidade pelas grávidas) poderia provocar uma dilatação dos vasos cerebrais – ocasionado a perda de memória. Há, também, uma alteração no foco: mamães tendem a dar mais atenção aos seus filhotes do que outros assuntos por um longo período.

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