Herbicida causa inflamação da próstata e atraso da puberdade

Trabalho ganha ainda mais importância porque tanto a atrazina como seus derivados persistem no ambiente, contaminando a água.

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25 Agosto 2010 | 11h21

Trabalho ganha ainda mais importância porque tanto a atrazina como seus derivados persistem no ambiente, podendo contaminar inclusive o abastecimento de água.

Trabalho ganha ainda mais importância porque tanto a atrazina como seus derivados persistem no ambiente, podendo contaminar inclusive o abastecimento de água.

A atrazina, um herbicida usado em plantações de milho e cana-de-açúcar para o controle de ervas daninhas, pode ser mais perigosa do que se supunha. Um estudo realizado com ratos pelo Instituto Nacional de Ciências de Saúde Ambiental dos EUA mostra que o produto faz com que os animais sejam mais propensos a desenvolver inflamações na próstata e tenham atraso na puberdade. O trabalho ganha ainda mais importância porque tanto a atrazina como seus derivados persistem no ambiente, podendo contaminar inclusive o abastecimento de água.

As experiências demonstram que a incidência de inflamação na próstata passou de 48% para 81% em crias que foram expostas a uma mistura de atrazina durante o período pré-natal. Quanto mais as doses, maior a inflamação.

Para os testes, os pesquisadores submeteram os animais a doses equivalentes aos níveis permitidos em fontes de água potável (três partes por bilhão) durante os últimos cinco dias de gravidez.  “Nós não esperávamos ver estes tipos de efeitos em níveis tão baixos”, ressalta Suzanne Fenton, responsável pelo trabalho ao lado de Jason Stanko, ambos do National Institutes of Health.

Efeitos permanentes?

“Foi interessante notar que a inflamação da próstata diminuiu ao longo do tempo, sugerindo que os efeitos podem não ser permanentes”, explica David Malarkey, patologista do NIEHS e co-autor do artigo. Entretanto, o pesquisador salienta que resultados semelhantes poderiam ser observados em herbicidas da mesma família, incluindo propazina e simazina.

Fenton afirma que mais estudos são necessários para compreender o mecanismo de ação das chlorotriazinas no tecido mamário e próstata: “Estes tecidos parecem ser particularmente sensíveis aos efeitos da atrazina e seus produtos de degradação. Os efeitos podem ser devido ao estágio de desenvolvimento fetal no momento em que os animais foram expostos”.

O artigo está disponível online e será destaque de capa do Reproductive Toxicology (volume 30).

Atrazina no mundo

A utilização da atrazina já está proibida em toda a Europa desde 2004, embora seja um dos herbicidas mais usados nos EUA – encontrado em 70% da água analisada no país. Estima-se que mais de 5 milhões de pessoas tenham sido expostas a atrazina entre 1998 e 2003.

No ano passado, órgãos de fiscalização pediram revisões dos níveis “seguros”, já que diversos estudos demonstraram que a substância está associada a riscos mais altos de diversos tipos de câncer, especialmente o linfoma não-Hodgkin, câncer de mama e próstata.

A atrazina pode retardar o desenvolvimento de glândulas mamárias e induzir o aborto em ratos. Alguns trabalhos defendem que a exposição pode ser responsável também pode fissura palatina e síndrome de Down.

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