Tempestades de gás podem interferir em processos galácticos globais

O Observatório Espacial Herschel detectou quantidades maciças de gás molecular soprando em velocidades elevadas.

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10 Maio 2011 | 14h53

Ilustração das saídas de gás descomunais detectadas pelo Herschel. Crédito: ESA/AOES Medialab.

Ilustração das saídas de gás descomunais detectadas pelo Herschel. Crédito: ESA/AOES Medialab.

O Observatório Espacial Herschel da Agência Espacial Europeia (ESA) detectou quantidades maciças de gás molecular soprando em velocidades elevadas – muitas vezes superiores a 1000 quilômetros por segundo – a partir dos centros de uma amostra de fusão de galáxias. Impulsionada pela formação de estrelas e buracos negros centrais, estas tempestades são fortes o suficiente para varrer bilhões de massas solares de gás molecular, podendo interferir em processos galácticos globais.

As observações do Herschel indicam que em galáxias mais brilhantes que estão abrigando os núcleos ativos de galáxias, as “saídas” podem limpar todo o suprimento para criar estrelas ou alimentar buracos negros. A descoberta fornece evidências há muito desejadas de processos de retorno altamente energéticos que podem ocorrer em galáxias que evoluem.

Saídas massivas de gás de centros galácticos são sinais lendários de que processos poderosos do tipo tempestade podem afetar o balanço galáctico normal de massa e energia “no caminho”. Dentro de uma galáxia estas tempestades podem ser geradas em regiões de formação estelar ativa, agitada por ventos estelares e ondas de choques decorrentes das explosões de supernovas. Também podem ser ocasionadas perto de buracos-negros centrais, onde a pressão da radiação do disco de acreção leva à dispersão do gás em sua volta.

Quando muito poderosas, estas saídas podem varrer todo o reservatório de gás de uma galáxia, esgotar a matéria-prima que cria as estrelas e alimentar o buraco negro central. Resultado: menor quantidade de formações estelares e o crescimento do buraco negro. Assim, saídas galácticas causam retornos negativos, já que impedem os mesmos mecanismos que as produziu em primeiro lugar.

Saídas de gás tão poderosas são características principais de modelos de formação e evolução das galáxias. Contudo, quase todas as observações anteriores tratavam apenas de gás neutro e ionizado. Neste caso as saídas detectadas no gás molecular frio a partir do qual nascem as estrelas, permitindo que seu impacto direto sobre a formação de estrelas possa ser estudado.