Substâncias voláteis são detectadas em cratera da Lua

Cientistas da NASA puderam confirmar o que antes era apenas suposição: a presença de gases na superfície gelada da cratera Cabeus. .

taniager

21 Outubro 2010 | 19h18

Mapa da temperatura da superfície da região polar sul da Lua. O mapa mostra as localizações das várias crateras de impacto intensamente frias e que são armadilhas potenciais para gelo d’água, bem como uma gama de outros compostos gelados comumente observados em cometas. A nave espacial LCROSS foi direcionada para impactar uma das mais fria destas crateras, e muitos dos compostos foram detectados na pluma ejetada pelo impacto. Crédito: NASA/UCLA/Jet Propulsion Laboratory, Pasadena, Califórnia/Goddard.

Mapa da temperatura da superfície da região polar sul da Lua. O mapa mostra as localizações das várias crateras de impacto intensamente frias e que são armadilhas potenciais para gelo d’água, bem como uma gama de outros compostos gelados comumente observados em cometas. A nave espacial LCROSS foi direcionada para impactar uma das mais fria destas crateras, e muitos dos compostos foram detectados na pluma ejetada pelo impacto. Crédito: NASA/UCLA/Jet Propulsion Laboratory, Pasadena, Califórnia/Goddard.

A sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) da NASA e seu conjunto de instrumentos sofisticados detectaram a presença de hidrogênio, mercúrio e outras substâncias voláteis no solo permanentemente sombreado da Lua, segundo artigo publicado hoje na revista Science.

O satélite de sensoriamento e observação remota de crateras lunares (LCROSS) da NASA havia jogado o dispositivo Centauro na cratera Cabeus, localizada perto do polo sul da Lua no dia 09 de outubro de 2009.  O objetivo era levantar a poeira no fundo da cratera para que a composição do material pudesse ser analisada.  O choque acontecera a uma velocidade de mais de 5600 quilômetros por hora, levantando uma pluma a mais de 12 quilômetros de altura. Ao mesmo tempo, os instrumentos da sonda LRO no satélite coletavam os dados.

Usando estes dados, a equipe da NASA responsável pelo projeto de estudo pode confirmar, somente agora, a suposição anterior da presença de gases de hidrogênio molecular, monóxido de carbono e mercúrio atômico, juntamente com menores quantidades de cálcio e magnésio, também na forma de gás.

 Em áreas da Lua sem a luz do Sol, as temperaturas podem variar entre -240 a -170 graus Célsius. Em temperaturas assim tão baixas, todos os compostos voláteis precipitam e ficam presos ao solo. Os micrometeoritos que impactam a região cobrem as crateras com poeira, isolando os gases ainda mais e tornando a fuga impossível.

As conclusões da LRO são valiosas para a consideração futura da localização de uma base lunar robótica ou tripulada. Assim como os polos têm, nas regiões próximas às crateras, superfícies permanentemente sombreadas devido à orientação da Lua em relação ao Sol, eles também possuem regiões em quase perpétua luz solar nas proximidades de montanhas e encostas das crateras, o que permitiria o posicionamento e o funcionamento dos equipamentos e sistemas de energia solar. A descoberta de gelo de água e outros recursos da região contribui para se pensar na redução de recursos transportados da Terra para o consumo de astronautas.

Ao mesmo tempo, os pesquisadores estão surpresos com a quantidade de mercúrio. “A detecção de mercúrio no solo foi a maior surpresa, especialmente porque tem a mesma abundância da água detectada pelo LCROSS”, diz Kurt Retherford, membro da equipe. “Sua toxicidade poderá ser um desafio para a exploração humana”.