Homem pode ter desencadeado extinção de grandes mamíferos

Entrada de novo predador em cena teria impulsionado "efeito dominó", causando o desaparecimento de mamutes e outros grandes animais.

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02 Julho 2010 | 14h59

Ilustração tigre-de-dente-de-sabre lutando com um mamute. Crédito: Mauricio Anton, cortesia da Oregon State University.

Ilustração tigre-de-dente-de-sabre lutando com um mamute. Crédito: Mauricio Anton, cortesia da Oregon State University.

Duas teorias tentam explicar por que grandes mamíferos como o mamute foram extintos há 10 mil anos. Uma defende a questão da mudança climática. Outra prefere atribuir o desequilíbrio do ecossistema à entrada do homem “caçador” em cena. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Los Angeles, nos EUA, afirmam que a última hipótese faz bem mais sentido.

De acordo com eles, a entrada do ser humano na disputa por animais herbívoros alterou o que antes era dominado por outros animais, mas equilibradamente. Quando o homem entrou em cena, usando outras artimanhas como fogo, armas e uma vida em conjunto, a estabilidade anterior foi substituída – explicando a perda de dois terços dos grandes mamíferos da América do Norte. A balança pendeu para o lado que antes, equilibradamente, era ocupada pelos tigres-dente-de-sabre – felino extinto pertencente à subfamília Machairodontinae.

“Nós sugerimos que a chegada dos humanos à América do Norte desencadeou uma cascata trófica em que a concorrência pela vítima maior foi intensificada, em última análise fazendo com que grandes carnívoros não-humanos passassem a dizimar os herbívoros de grande porte”, explica Van Blaire Valkenburgh, professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade da Califórnia em Los Angeles, nos EUA, e co-autor do trabalho. “Quando caçadores humanos entraram em cena, formaram nova concorrência com esses carnívoros pelas mesmas presas”.

Caso as mudanças climáticas tivessem sido responsáveis pela escassez de alimentos que resultou na extinção de espécies, os animais apresentariam diminuição de tamanho e outros indícios. Entretanto, pesquisas anteriores demonstraram que os animais continuaram do mesmo tamanho, e análises de presas também não indicam nenhuma alteração desencadeada pela falta de comida.

No fim do Pleistoceno, cerca de 80% das 51 espécies de grandes herbívoros foram extintas, com 60% dos grandes carnívoros. O efeito dominó observado durante o período é semelhante ao que ocorre atualmente com o declínio global de alguns predadores, como lobos, pumas e tubarões.

O artigo foi publicado na revista especializada Bioscience.

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