Estudo revela que homens modernos cruzaram com neandertais

Estudo com DNA revela que há um pouquinho da espécie extinta em homens modernos, indicando que "mistura" deve ter ocorrido após migração da África.

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06 Maio 2010 | 16h29

Svante Pääbo segurando um crânio de neandertal. Crédito: Frank Vinken/Max Planck Society.

Svante Pääbo segurando um crânio de neandertal. Crédito: Frank Vinken/Max Planck Society.

Após extrair DNA de ossos de neandertais, cientistas conseguiram obter o primeiro esboço de sequência genética da espécie extinta que habitou a Europa e partes da Ásia há mais de 30 mil anos, revelando algumas diferenças – e muitas semelhanças – com o homem moderno. Ao que tudo indica, homens modernos cruzaram com neandertais logo após terem migrado da África.

O trabalho demandou quatro anos e os seus resultados, publicados pela Science, sinalizam uma conquista sem precedentes na Ciência: apenas dez anos após a codificação do genoma do Homo sapiens, pesquisadores conseguiram fazer algo semelhante com um hominídeo extinto – o parente mais próximo dos homens “atuais”.

A sequência (mais de 60% de todo o genoma de um neandertal) apresentada é baseada na análise de mais de um bilhão de fragmentos de DNA retirados de vários ossos encontrados na Croácia, Rússia, Espanha e Alemanha.

“Aqueles que vivem fora da África levam um pouco de DNA neandertal”, diz Svante Pääbo, diretor do departamento de genética evolutiva do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária em Leipzig, envolvido no estudo.

Alcançar estes resultados só foi possível graças a uma técnica especial que permitiu distinguir DNAs corrompidos por bactérias e transformações químicas ao longo dos milhares de anos e partes que realmente estavam intactas. Uma análise mais detalhada poderá levar a conclusões mais precisas sobre os genes e a evolução do homem.

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