Oxitocina pode indicar sucesso de relacionamento entre saguis

"Hormônio do amor" tem importante papel no estabelecimento de laços fortes entre pessoas e outros mamíferos também.

root

13 Julho 2010 | 15h00

Sagui-cabeça-de-algodão fica bem mais carinhoso com parceiro se níveis de oxitocina são elevados. Crédito: Bryce Richter/UW-Madison University Communications.

Sagui-cabeça-de-algodão fica bem mais carinhoso com parceiro se níveis de oxitocina são elevados. Crédito: Bryce Richter/UW-Madison University Communications.

Nem só nos seres humanos que a oxitocina parece indicar os níveis da paixão: o relacionamento duradouro entre macacos também tem correspondência com o hormônio. Um estudo realizado pela Universidade de Wiscosin-Madison, nos EUA, avaliou 14 pares de sagui-cabeça-de-algodão, mostrando que se um membro do par tem altos índices do hormônio do amor, o outro também tem.

Em parceiros com níveis elevados de oxitocina, os pesquisadores observaram mais atos de carinho, melhor higiene e sexo, ao passo que animais com índices mais baixos gastavam menos tempo nestas atividades. Embora o hormônio tenha sido originalmente pesquisado em seu papel no parto – ao ajudar o laço mãe e filho -, a oxitocina tem sido hoje associada principalmente a sentimentos amorosos.

“Somente nos últimos 20 anos começamos a pensar mais amplamente sobre a função social da oxitocina em formar e manter relacionamentos de longo prazo”, diz Charles Snowdon, professor de psicologia. “Um spray nasal de oxitocina faz pessoas ficarem mais abertas a estranhos. A oxitocina eleva após o orgasmo, massagem e carícia. Tudo isso sugere que ela tenha algum papel no estabelecimento de laços fortes entre esses saguis, que são socialmente monogâmicos”.

Para chegar aos resultados, a equipe analisou amostras de urina para avaliar os níveis de oxitocina e observou o comportamento dos animais três vezes por semana durante três meses. Os pesquisadores notaram que macacos com altos níveis de hormônio também têm a capacidade de acalmar os parceiros quando estes se perturbam, por meio de carícias e sexo.

Em estudos anteriores com seres humanos, a presença elevada de oxitocina fez com que homens estivessem mais propensos a iniciar carícias, e mulheres mais tendência a iniciarem o sexo. “Aqui nós temos um modelo de primata não-humano que tem de resolver os mesmos problemas que a gente: para ficar juntos e manter um relacionamento monogâmico, criar filhos, a oxitocina pode ser um mecanismo que eles usam para manter o relacionamento”.

Veja também:

Mulheres deprimidas e homens extrovertidos têm mais filhos
Escolha de parceiro é fortemente influenciada pela opinão de estranhos
Tão longe, tão perto: o mero fato de escutar a voz materna acalma
Spray de hormônio oxitocina faz homens ficarem mais sensíveis
Esteroide encontrado no extrato de romã aumenta contrações uterinas
Como nós, alguns suricatos também gostam de acordar mais tarde
Tudo pela fama? Chipanzés imitam indivíduos mais populares do grupo