Via regularizadora da angiogênese reforça luta contra doenças

O estudo demonstrou como as células mielóides retinais regulam a ramificação de vasos sanguíneos nas retinas em desenvolvimento.

taniager

30 Maio 2011 | 13h32

As imagens mostram a ramificação de vasos sanguíneos na retina de ratos. A imagem acima, à esquerda, apresenta a formação da ramificação de vasos sanguíneos na camada mais profunda da retina de rato normal selvagem e, à direita, a ramificação excessiva na retina de rato mutante incapaz de produzir proteínas regulatórias Wnt em células mielóides. As imagens abaixo mostram a formação normal de vasos retinais superficiais (à esquerda, em verde) e a formação excessiva de vasos retinais profundos (à direita, em vermelho). Crédito: Cincinnati Children's Hospital Medical Center.

As imagens mostram a ramificação de vasos sanguíneos na retina de ratos. A imagem acima, à esquerda, apresenta a formação da ramificação de vasos sanguíneos na camada mais profunda da retina de rato normal selvagem e, à direita, a ramificação excessiva na retina de rato mutante incapaz de produzir proteínas regulatórias Wnt em células mielóides. As imagens abaixo mostram a formação normal de vasos retinais superficiais (à esquerda, em verde) e a formação excessiva de vasos retinais profundos (à direita, em vermelho). Crédito: Cincinnati Children's Hospital Medical Center.

Cientistas identificaram um novo caminho molecular para suprimir a ramificação de vasos sanguíneos no desenvolvimento da retina. Em estudo publicado na revista Nature recentemente, os pesquisadores relatam que células mielóides – células do sangue envolvidas no sistema imunológico – usam esta via molecular para orientar padrões de vasos sanguíneos na retina. Eles relatam também que foram capazes de reverter este caminho a fim de acelerar o crescimento de vasos em ramificações, um passo que poderia ser importante para o desenvolvimento de novos métodos para reparar tecidos danificados. A descoberta tem valor terapêutico potencial na luta contra doenças da retina e uma variedade de tipos de câncer.

O estudo demonstrou como as células mielóides retinais regulam a ramificação de vasos sanguíneos nas retinas em desenvolvimento de ratos recém-nascidos, ao usarem a rede de sinalização da proteína Wnt. O caminho da Wnt é conhecido por seu papel no desenvolvimento embrionário e precoce, bem como no câncer. Embora células mielóides desempenhem um papel importante no sistema imunológico, estas células também são encontradas em muitos tipos diferentes de tumor e promovem a progressão do tumor.

Por meio de uma série de experimentos em culturas de células e modelos de ratos, os pesquisadores puderam determinar o novo padrão trabalhado por células mielóides, utilizando o percurso da Wnt para regular a expressão de um gene conhecido como Flt1. O Flt1 codifica uma proteína denominada receptor-1 de fator de crescimento endotelial vascular (VEGFR1), que suprime o crescimento vascular pela ligação do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF). A expressão de Flt1 pode ser ajustada de modo que iniba o VEGF e a ramificação vascular quando se alastre, ou permita que o VEGF aumente a ramificação quando recue.

Segundo o pesquisador Richard Lang, da Divisão de Oftalmologia do Centro Médico do Hospital Infantil de Cincinnati nos Estados Unidos, a resposta Wnt-Flt1 é um novo caminho para a regulação da angiogênese estimulada pelo VEGF (formação de vasos sanguíneos). Isso apresenta uma série de novas oportunidades de investigação para testar sua influência em doenças da retina que são frequentemente associadas com o desenvolvimento anormal dos vasos sanguíneos e na formação do tumor.

A equipe formada pelo principal autor, James (Tony) Stefater, um dos membros do laboratório do Dr. Lang, e colegas já está conduzindo uma nova experiência para entender como o caminho influencia reações moleculares em doenças retinais e no câncer. Os estudos relativos ao câncer estão sendo feitos em colaboração com Jeff Pollard, biólogo renomado de células cancerosas na Faculdade de Medicina Albert Einstein, EUA, e coautor do estudo atual.