Malária precisa de "bilhete de ingresso" para entrar nas células

Plasmepsin V permite que proteínas migrem do parasita para a célula humana, desencadeando o processo infeccioso.

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04 Fevereiro 2010 | 17h05

Parasita da malária entra nos glóbulos vermelhos do hospedeiro com a ajuda de uma proteína.
Parasita da malária entra nos glóbulos vermelhos do hospedeiro com a ajuda de uma proteína-chave.

Cientistas da Washington University School of Medicine em St. Louis identificaram uma proteína produzida pelo parasita da malária que é essencial para sua capacidade de atuar nas células vermelhas do sangue: a plasmepsin V.

As proteínas secretadas pelo parasita da malária têm uma marca comum que o plasmepsin V reconhece e atua, cercando parte da proteína. Os pesquisadores acreditam que, quando esta marca é removida, o restante da proteína se associa a outra proteína, permitindo o acesso do parasita por meio de um canal na membrana externa do glóbulo vermelho.   

Uma vez dentro da célula, o parasita da malária toma o controle e remodela o glóbulo vermelho pela secreção de centenas de proteínas. Mas, sem a proteína plasmepsin V, as outras proteínas não podem sair do parasita para a célula, parando o processo infeccioso.

O equivalente mais próximo da plasmepsin V em seres humanos é uma proteína chamada beta secretase, mas as similaridades ainda são amenas. Embora haja uma diferença significativa entre as duas, a pouca similaridade existente pode significar menos risco na utilização de drogas para desestabilizar a plasmepsin V.

Segundo Dan Goldberg, professor de medicina e microbiologia molecular, o processo funciona como na entrada de um teatro. Sem o “ticket”, o parasita não pode entrar. Desativando o plasmepsin V, não há como secretar proteínas infecciosas que lhe permita comandar os glóbulos vermelhos. É a enzima-chave que determina se as proteínas podem sair para remodelar as células do sangue ou não.

Malária

A malária é uma doença infecciosa causada por protozoários parasita do gênero Plasmodium. É transmitida pela picada do mosquisto Anopheles, e uma das maiores causas de morte em crianças de países tropicais (dados da Organização Mundial da Saúde apontam que uma criança africana morre a cada 30 segundos por causa da doença). O parasita se torna cada vez mais resistente aos medicamentos, o que dificulta o trabalho dos médicos.

A infecção pelo protozário P. falciparum pode causar dores de cabeça, fadiga, febre e náusea por vários dias. Quando a doença evolui, a pessoa passa a sentir calafrios e febre intensa (por causa da destruição maciça de hemácias). Descargas de substâncias imunogênicas tóxicas são liberadas no sangue, constituindo as crises – em que o infectado apresenta palidez, tremores violentos e temperatura muito alta, acima de 41ºC. O risco de morte existe em cada crise, que ocorre entre dois e três dias. Nestes períodos, podem ocorrer danos cerebrais, renais e hepáticos.