Identificado "gatilho" que induz células a produzirem anticorpos potentes

Pesquisadores descobrem que uma molécula pode duplicar a resposta de anticorpos tão logo um antígeno comece o processo de infecção.

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06 Julho 2010 | 15h11

Sistemas de resposta imunológica inata e adaptativa podem trabalhar juntos para produzir anticorpos mais potentes.

Sistemas de resposta imunológica inata e adaptativa podem trabalhar juntos para produzir anticorpos mais potentes.

Pesquisadores do National Jewish Health descobriram o gatilho que induz as células B a produzirem anticorpos eficazes e de longa duração no início da resposta imune. A equipe descobriu que uma molécula que se liga aos receptores “toll-like” (TLR) duplica a resposta de anticorpos tão logo um antígeno comece o processo de infecção. Desta maneira, a reação do corpo é mais eficaz.

“Em nossos experimentos, uma molécula que interage com o sistema imunológico inato estimula as células B foliculares, que são reconhecidas como parte do sistema imune adaptativo”, explica Raul Torres, autor sênior do estudo e professor de imunologia do instituto. “Nossos dados fornecem evidência de uma resposta imunológica contínua, ao invés de duas distintas funcionando separadamente”.

Os resultados do trabalho defendem o conceito de uma imunidade que associa respostas inatas a respostas imunológicas adaptativas. O entendimento deste processo pode levar ao desenvolvimento de melhores vacinas e tratamentos para diversas infecções.

Resposta inata x resposta adaptativa

A resposta imunológica inata começa minutos após a infecção começar, pelo reconhecimento geral de padrões moleculares associados a organismos infecciosos (tais como os componentes da parede celular bacteriana). Um processo rápido, mas não muito certeiro. A resposta imunológica adaptativa, por sua vez, detecta proteínas associadas aos antígenos, estimulando a produção de anticorpos altamente segmentados que ajudam na batalha do corpo contra os invasores. Este processo, no entanto, começa vários dias após a infecção e não se mantém no máximo por mais de dez dias.

Durante muito tempo, pesquisadores acreditaram que estes dois tipos de resposta imunológica agiam separadamente e de forma independente. Caso isso fosse verdade, contudo, haveria uma lacuna entre a resposta inata e a resposta adaptativa. De alguns anos para cá, cientistas começaram a observar que as duas frentes de batalha se comunicam para preencher esta lacuna: alguns soldados ficam de plantão.

Células para qualquer hora

A equipe do National Jewish Health focou a atenção no processo que contém os dois mecanismos de proteção do corpo: a resposta independente de anticorpos de células-T. Embora células B sejam mais amplamente reconhecidas por suas contribuições na resposta imunológica adaptativa, algumas começam a produzir anticorpos assim que a infecção começa. Mas, em vez de detectar uma única proteína específica associada ao invasor, elas detectam moléculas repetitivas ligadas entre si – tais como as encontradas em uma parede celular bacteriana ou cápsula viral.

Este processo já foi estudado durante muitos anos, usando moléculas sintéticas como modelos de antígenos. Mas, estes experimentos podem não refletir exatamente o que ocorre no corpo: as células B que quase nunca encontram sozinhas uma parede celular bacteriana geralmente trabalham ao lado de moléculas que ativam a resposta imunológica inata também. A solução seria injetar antígenos sintéticos com mais uma molécula que se liga a um receptor em roedores – o TLR ligante.

Trabalho em equipe

Os resultados mostram que os níveis de anticorpos duplicam quando o ligante TLR é adicionado. A mistura de anticorpos também atua de forma muito mais eficaz contra infecções, por um período maior, o que indica caminhos promissores para o desenvolvimento de vacinas.

Os pesquisadores descobriram que o TLR ligante estimula as células para a liberação do interferon tipo 1. Isso, por sua vez, ativas as células B foliculares a liberarem anticorpos IgG. “Nossas experiências não apenas fornecem provas adicionais de ‘pontes de imunidade’, como demonstram um mecanismo preciso pelo qual elas ocorrem”, afirma Cristina L. Swanson, primeira autora do artigo publicado no The Journal of Experimental Medicine.

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