Imagem de vírus é construída em aparelho gigante de radiologia

Batizado de ELI, o aparelho produz um laser de ultra raio-X capaz de visualizar uma única partícula viral em apenas um flash de femtosegundos.

taniager

03 Fevereiro 2011 | 13h10

Reconstituição de uma imagem de duas partículas virais de Mimivirus obtida graças ao laser LCLS. Crédito: Seibert et al.

Reconstituição de uma imagem de duas partículas virais de Mimivirus obtida graças ao laser LCLS. Crédito: Seibert et al.

Uma equipe internacional de cientistas no laboratório do CNR (Centro Nacional de Pesquisa Científica) na França reconverteu o acelerador de partículas de Stanfort (SLAC) em um gigantesco aparelho de radiologia para ver partículas únicas, como células inteiras, vírus e macromoléculas. Batizado de ELI, o aparelho produz um laser de ultra raio-X capaz de visualizar uma única partícula viral em apenas um flash de femtosegundos (10-15 segundos). O artigo sobre esse trabalho foi publicado hoje na revista Nature e anuncia uma nova era para a biologia estrutural e abre as portas para a utilização de raios-X em estudos das estruturas tridimensionais de objetos biológicos assimétricos, não cristalizáveis, e mesmo em movimento.

Estes estudos validam a viabilidade do uso de um acelerador de partículas como ferramenta de biologia estrutural para obter, em um único “flash” de laser, a fotografia de partículas únicas (vírus, bactérias, proteínas, células…). Eles constituem uma etapa “histórica” no domínio da biologia estrutural.

Na verdade, até agora, duas técnicas permitem estudar objetos biológicos: a radio-cristalografia e a microscopia eletrônica. Os requisitos dessas técnicas (serem “cristalizáveis”, simétricos, estáticos e de tamanho adequado) excluem a maior parte dos objetos biológicos e muitas vezes falseiam os resultados, porque assumem serem todas as moléculas idênticas e impõem uma simetria que, na verdade, não é real.

Com o laser LCLS, todas as partículas podem ser estudadas individualmente, independentemente da sua dimensão e de suas propriedades. A nova técnica anuncia assim uma nova era: a biologia estrutural de objetos únicos.

Os pesquisadores agora estão trabalhando para melhorar a resolução de imagens para visualização detalhada tanto fora como dentro das partículas biológicas.