Imensa cratera identificada no Mar do Timor dá pistas sobre gelo na Antártida

Asteroide de mais de 50 quilômetros que atingiu a Terra há 35 milhões de anos pode ter ajudado na diminuição da temperatura global.

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20 Maio 2010 | 13h51

Imagem da sísmica de reflexão da cratera enterrada no Mount Ashmore. Crédito: ANU.

Imagem da sísmica de reflexão da cratera enterrada no Mount Ashmore. Crédito: ANU.

Cientistas da Universidade Nacional Australiana identificaram uma cratera de pelo menos 50 quilômetros de diâmetro abaixo do Mar do Timor – uma extensão do oceano entre a ilha de Timor e Austrália -, criado por um asteroide gigante que colidiu com a Terra há pelo menos 35 milhões de anos. O resultado do trabalho pode dar pistas sobre a queda global de temperatura anterior à formação das camadas de gelo na Antártida.

Levantamentos sísmicos em áreas da Plataforma Ashmore dão apenas uma ideia do tamanho mínimo do impacto ocasionado pela colisão. Entretanto, o tamanho do asteroide pode ter sido bem maior.

“A identificação das características microestruturais e químicas de perfuração em fragmentos extraídos do furo no Monte Ashmore revelaram a evidência de um impacto significativo”, diz Andrew Glikson, especialista no estudo de impactos extraterrestes no Instituto de Ciências Planetárias da Escola de Arqueologia e Antropologia da ANU.

O asteroide colidiu com o nosso planeta em um período marcado por intensos bombardeiros na Terra, que devem ter ocasionado a queda de temperatura global.

“O impacto do aglomerado atingiu a Terra aproximadamente 1 milhão de anos antes da Passagem de Drake, que separa o oceano da Antártida e a América do Sul”, explica o pesquisador. “A abertura da passagem de Drake permitiu a circulação contínua do oceano em volta da Antártida, isolando o continente Antártico e permitindo o surgimento da cobertura de gelo de grande porte, que atua como um ‘termostato’ para o clima da Terra”.

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