Infecção do vírus Epstein-Barr pode ser a causa da esclerose múltipla

Pesquisadores acreditam que o vírus seja responsável pelo desenvolvimento da doença degenerativa do sistema nervoso central.

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05 Março 2010 | 10h57

Imagem microscópicas mostra duas partículas virais EBV. Crédito: Wikipedia/Liza Gross.

Imagem microscópicas mostra duas partículas virais EBV. Crédito: Wikipedia/Liza Gross.

Pesquisadores da Harvard School of Public Health, Walter Reed Army Institute of Research e um time de colaboradores observaram pela primeira vez que o risco de desenvolver esclerose múltipla aumenta muito com a infecção do vírus Epstein-Barr (EBV), responsável pela mononucleose infecciosa. É o primeiro estudo que sugere que a infecção viral possa ser a causa, e não a consequência, da doença degenerativa.

Milhares de pessoas não infectadas pelo EBV foram acompanhadas durante muitos anos, por meio de amostras de sangue coletadas. Desta forma, os pesquisadores foram capazes de determinar o momento em que os indivíduos desenvolveram uma infecção por Epstein-Barr e associá-la ao início da esclerose.

“O recrutamento de indivíduos antes que fossem infectados com EBV e o contato com eles durante vários anos são os aspectos metodológicos que tornam este estudo qualitativamente diferente de todos os trabalhos anteriores”, aponta Alberto Ascherio, autor sênior do estudo e professor de epidemiologia, medicina e nutrição na Harvard.


A esclerose múltipla é uma doença crônica e degenerativa do sistema nervoso central, que geralmente afeta mais mulheres do que homens. É a mais comum doença neurológica incapacitante nos adultos jovens. Embora a predisposição genética exista, estudos anteriores já demonstraram que fatores ambientais podem ter grande responsabilidade também.

O EBV é um vírus tipo herpes, um dos mais comuns entre os homens, para o qual ainda não há tratamento eficaz. Infecções na infância são comuns e geralmente assintomáticas. Em uma idade mais avançada, porém, pode provocar a mononucleose infecciosa. O vírus tem sido associado a alguns tipos de câncer e pode causar sérias complicações quando o sistema imunológico é debilitado, como em transplantados.

O estudo mostrou que o risco de esclerose múltipla é muito maior em indivíduos infectados com o EBV do que em pessoas não infectadas. “A observação de a esclerose múltipla só ocorreu após a infecção por Epstein-Barr é uma grande descoberta”, ressalta Ascherio. “Até agora, sabíamos que todos os pacientes com esclerose estavam infectados com EBV, mas não podíamos excluir duas explicações não-causais para isso: que a infecção é uma consequência e não uma causa da esclerose, e que os indivíduos que são EBV negativos podem ser geneticamente resistentes à esclerose múltipla. Ambas as explicações são inconsistentes com os resultados atuais”.

Para os pesquisadores, as evidências do novo estudo são fortes o bastante para justificar a alocação de mais recursos no desenvolvimento de intervenções orientadas para o EBV, ou para a resposta imune ao vírus, já que estes podem contribuir para a prevenção da esclerose múltipla.

O estudo foi publicado em Annals of Neurology.

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