Inibidor de enzima específica pode deter infecção do vírus da hepatite C

Tratamento em vista: DGAT1 é um fator chave na infecção, mas muitos inibidores desta enzima já estão sendo desenvolvidos.

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11 Outubro 2010 | 12h59

Apenas humanos e chipanzés são infectados pelo vírus da hepatite C, dificultando o trabalho de pesquisadores. Crédito: Helmholtz-Center for Infection Research.

Apenas humanos e chipanzés são infectados pelo vírus da hepatite C, dificultando o trabalho de pesquisadores. Crédito: Helmholtz-Center for Infection Research.

Uma descoberta pode mudar o rumo das pesquisas sobre hepatite C: uma equipe do Instituto Gladstone de Virologia e Imunologia descobriu que uma enzima associada ao armazenamento de gordura no fígado é necessária para a atividade da infecção do vírus da hepatite C. Estas informações podem levar pesquisadores a utilizarem uma nova estratégia para tratar a doença.

O estudo, publicado na Nature Medicine, mostra que a enzima DGAT1 é um fator chave na infecção pelo vírus da hepatite C. Muitos inibidores desta enzima já estão sendo desenvolvidos, indicando um tratamento para a doença em um futuro próximo. “Nossos resultados revelam um possível ‘calcanhar de Aquiles’ da infecção”, ressalta Melanie Ott, autora sênior do estudo. “Vários inibidores de DGAT1 já estão no início de ensaios clínicos para tratar doenças associadas à obesidade. Eles também podem atuar contra a hepatite C”.

À primeira vista, o ciclo de vida do vírus da hepatite C é bastante simples: ele entra na célula, uma grande proteína é produzida e cortada em várias pequenas enzimas virais que constroem o vírus. O genoma do RNA é copiado e os novos RNAs e proteínas estruturais são usadas para produzir novas partículas virais que são liberadas, então, no sangue para infectar mais células.

Acreditava-se que o processo descrito ocorre em membranas especializadas dentro da forte relação com o mecanismo. A enzima DGAT1 é uma das enzimas que contribuem para formar as gotículas.

“Enzimas DGAT produzem a gordura que é armazenada nas gotículas que são importantes para a replicação do vírus da hepatite C; por isso, questionei se inibir essas enzimas poderia interromper o ciclo de vida viral”, explica Eva Herker, responsável pela equipe. “Descobrimos que o vírus da hepatite C depende especificamente da enzima DGAT1. Ao inibir a mesma com um medicamento, o fígado produz ainda gotículas de gordura por meio de outra enzima DGAT, que não podem ser usadas pelo vírus”.

A equipe procurou identificar qual etapa no ciclo de vida do vírus da hepatite C requer a DGAT1. Os pesquisadores descobriram que a enzima interage com uma proteína viral – core viral nucleocapsídeo -, necessária para a montagem da partícula viral. O núcleo da proteína normalmente é ligado à superfície de gotículas de gordura, mas não pode fazer isso quando a enzima DGAT1 é inibida ou está ausente nas células infectadas.

Mais de 150 milhões de pessoas já estão infectadas com a doença, mas não há sequer vacina para impedir a propagação do vírus que, em longo prazo, pode danificar o fígado de um indivíduo de forma drástica. Os atuais tratamentos não são eficazes contra as cepas mais comuns encontradas nos EUA e na Europa.

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