Interferon gama conclama células-tronco do sangue durante infecções

Em tempos de paz, a maioria das células estaminais permanece dormente, e apenas algumas ficam de plantão para manter o equilíbrio no sangue.

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09 Junho 2010 | 16h50

Interferon gama atua como o corneteiro de antigas batalhas, com a responsabilidade de passar um chamado em

Interferon gama atua como o corneteiro de antigas batalhas, com a responsabilidade de passar um chamado em "alto e bom som". No caso de infecções, a tropa despertada pelo toque é formada por células-tronco.

Salve-se, quem puder: na hora da infecção, é o interferon gama que “acorda” as células-tronco do sangue em nosso corpo para produzirem células do sistema imunológico que combatem invasores. Em tempos de paz, a maioria das chamadas células estaminais permanece dormente, e apenas algumas ficam de plantão para manter o equilíbrio no sangue.

“Tínhamos certeza de que havia um mecanismo pelo qual as células-tronco hematopoéticas (do sangue) respondem à infecção, mas não era evidente”, explica Margaret Goodell, professora de genética molecular e humana no Baylor College of Medicine, responsável pelo trabalho. A ideia de avaliar a função do interferon gama neste processo partiu da constatação de que ele desempenha um papel importante em processos infecciosos.

Saber que o interferon gama age como um alarme que desencadeia a produção de células imunológicas no sangue pode auxiliar pesquisadores no desenvolvimento de novas abordagens para diferentes tipos de infecção.


“Como um especialista em doenças infecciosas, vejo muitos pacientes com medulas ósseas que não produzem suficientes células do sangue, como conseqüência da infecção”, diz Katherine Y. King, envolvida na pesquisa. “Isto é particularmente importante em infecções crônicas, como doenças microbacterianas (que incluem a tuberculose) e a AIDS”.

O trabalho mostra que o interferon gama não só ativa as células-tronco durante a infecção, como regulam as células-tronco em situações “normais”, permitindo ao organismo manter a proporção certa de diferentes células do sangue.

De acordo com a equipe, a infecção bacteriana detectada pelo sistema imunológico de vigília estimula o aumento da liberação de interferon gama. Este então parte pela corrente sanguínea para ativar as células-tronco hematopoéticas na medula óssea, levando à expansão e mobilização do estoque de células progenitoras imunológicas (as células que produzem finalmente as células do sistema imunológico).

O desequilíbrio neste processo, como por exemplo a atividade prolongada das células-tronco hematopoéticas, pode resultar em alguns problemas no estímulo da produção de defesa no corpo. “Uma das coisas mais importantes que nós descobrimos é que infecções crônicas podem levar à exaustão da medula óssea”, explica Megan T Baldrige, co-autor da pesquisa. “Sabíamos que uma condição chamada de anemia de doença crônica existia, e este pode ser um dos fatores contribuintes”.

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