Interruptor de crescimento em plantas poderia parar metástase em humanos

Um mecanismo biológico compartilhado por plantas e animais pode ser a chave para "desligar" o crescimento de um tumor em seres humanos.

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07 Junho 2010 | 15h42

Proteína ROP ligada a uma molécula de GDP. As áreas coloridas em rosa indicam que a molécula se liga a gordura. Crédito: Tel Aviv University.

Proteína ROP ligada a uma molécula de GDP. As áreas coloridas em rosa indicam que a molécula se liga a gordura. Crédito: Tel Aviv University.

Plantas são bastante diferentes de animais. Entretanto, compartilham muitos mecanismos biológicos. Um deles pode ser a chave para desligar o crescimento do câncer em seres humanos, de acordo com um pesquisador da Universidade de Tel Aviv, em Israel.

Yalovsky Shaul, do departamento de biologia molecular e ecologia de plantas, identificou uma espécie de “interruptor” que pode alterar o crescimento celular das plantas. Em laboratório, está analisando o mecanismo para ver se é possível induzir a reformulação de células, crescimento de novos tecidos ou direcionar a resposta a infecções virais ou bacterianas.

Inibindo processos

Uma molécula de gordura que modula um grupo de proteínas chamadas ROPs pode ser a chave, já que proteínas muito semelhantes são encontradas nos seres humanos, fornecendo sinais químicos de que um câncer entrou na fase da metástase (quando se espalha para diferentes tecidos e órgãos do corpo). Agora que a equipe descobriu como controlar as ROPs nas plantas, os pesquisadores acreditam que eles estão a um passo de controlar proteínas similares nos humanos.

“Nós esbarramos em um antigo mecanismo que regula a função destas proteínas que são encontradas em plantas e seres humanos”, diz Yalovsky. De acordo com ele, este mecanismo regula a resposta imunológica a patógenos invasores no corpo humano e está envolvido na cicatrização de feridas e desenvolvimento de células nervosas no cérebro.

As proteínas podem iniciar processos de divisão celular e crescimento. Por meio da engenharia genética, elas poderiam ser manipuladas para acelerar a cicatrização de tecidos ou “desligadas” para parar o crescimento de um tumor.

As proteínas ROPs se ligam a uma pequena molécula chamada GTP, que então se divide em outra molécula chamada GDP. Ao se ligar ao PIB, estas proteínas se tornam inativas. Indo além, o pesquisador criou um segundo tipo de molécula mutante que previne que as proteínas ROP se ligam à molécula de GTP, criando um efeito inibidor.

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