"Objeto" em forma de X e cauda de cometa intriga astrônomos

Trabalho dá pistas sobre como asteroides se comportam após choque e como o impacto contribui para a poeira que invade o Sistema Solar.

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13 Outubro 2010 | 16h35

Uma equipe internacional de astrônomos observou o que ocorre quando dois asteroides colidem. Usando o telescópio espacial Hubble para estudar as consequências de um encontro rochoso ao longo de cinco meses, os pesquisadores assistiram a uma estranha trilha de detritos que evoluiu lentamente ao passo que começava a orbitar o Sol. O trabalho dá pistas sobre como os asteroides se comportam quando se chocam, e como a “queda” decorrente do impacto contribui para a poeira que invade o Sistema Solar.
Crédito: ESA
Crédito: ESA

Em janeiro, os astrônomos pensaram ter presenciado uma colisão recente entre dois asteroides, quando imagens da NASA e da Agência Espacial Europeia revelaram um estranho objeto em forma de X na cabeça de uma trilha com material semelhante ao de cometas. “Quando vi a imagem do Hubble eu sabia que era algo especial”, diz Jessica Agarwal, que fazia parte das pesquisas da ESA. “O núcleo parecia quase independente da nuvem de poeira e não existiam estruturas complexas dentro do pó”.

 

Depois de usar o Hubble para localizar o corpo durante cinco meses, os astrônomos ficaram surpresos ao descobrir que o evento tinha começado pelo menos um ano antes das primeiras observações. De acordo com os cálculos, o encontro deve ter ocorrido em fevereiro ou março de 2009.

O objeto, chamado de A2 P/2010, foi encontrado na cintura de asteroides – um reservatório de milhões de corpos rochosos entre as órbitas de Marte e Júpiter. Encontros de asteroides são considerados comuns e destrutivos, mas estima-se que asteroides de porte modesto realmente colidem entre si cerca de uma vez por ano. Quando isso ocorre, eles injetam poeira no espaço interplanetário. Mas, até agora, previsões sobre a frequência destas colisões têm sido feitas sobre modelos.

“Estas observações são importantes porque precisamos saber de onde a poeira no Sistema Solar vem, e quanto disso chega das colisões de asteroides em oposição aos cometas desgaseificados”, explica David Jewitt, da Universidade da Califórnia em Los Angeles e responsável pelas observações do Hubble. “Nós também podemos aplicar esse conhecimento para os discos de detritos de poeira em torno de outras estrelas, porque se acredita que tenham sido produzidos por colisões entre corpos invisíveis nos discos. Sabendo como a poeira foi produzida é uma forma de trazer pistas sobre os corpos invisíveis”.

As imagens revelam um objeto com cerca de 120 metros de largura e uma longa cauda de poeira seguindo um padrão em forma de X nunca antes observado. As observações também indicam que o objeto mantém este formato mesmo que os destroços lentamente sejam expandidos. Mas o que foi captado pelo Hubble é o que restou de um corpo precursor maior: uma pequena pedra, de três e cinco metros de largura, deve ter se chocado com um corpo rochoso maior. O par deve ter se encontrado em alta velocidade, a aproximadamente 18 mil km/h, esmagando e vaporizando o pequeno asteroide e descascando o maior. Um encontro tão poderoso como a detonação de uma pequena bomba atômica.

Em seguida, a pressão da radiação solar deve ter varrido os escombros atrás do asteroide remanescente, formando uma cauda de cometa. A poeira da cauda contém material suficiente para construir uma bola de 20 metros de largura – a maior parte soprada para fora do corpo maior em função da explosão. Contudo, os pesquisadores ainda não têm uma boa explicação para a forma em X, embora isso sugira que os asteroides não eram perfeitamente simétricos.

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