Leite materno leva a caminhos genéticos diferentes dos da fórmula

Crianças que recebiam leite materno tinham expressão gênica mais acentuada associada à resposta célular à privação de oxigênio.

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13 Maio 2010 | 11h36

Pesquisadores examinaram a expressão gênica intestinal de 22 crianças saudáveis para estabelecer as diferenças entre amamentação e consumo de fórmulas por recém-nascidos.

Pesquisadores examinaram a expressão gênica intestinal de 22 crianças saudáveis para estabelecer as diferenças entre amamentação e consumo de fórmulas por recém-nascidos.

O segredo do leite materno pode estar, mesmo, nos genes. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Illinois, nos EUA, comparou o desenvolvimento de bebês alimentados por fórmulas e outros amamentados pelas mães.

“Pela primeira vez, nós podemos ver que o leite materno induz caminhos genéticos que são completamente diferentes daqueles em bebês alimentados com fórmula”, diz Sharon Donovan, professor de nutrição da universidade. “Embora os fabricantes de fórmulas tenham tentado desenvolver um produto muito similar ao leite materno, centenas de genes são expressos diferentemente do que em bebês amamentados”.

Bebês amamentados e outros alimentados com fórmula irão se desenvolver da mesma maneira – com o mesmo peso. Entretanto, sabe-se que o leite materno contém anticorpos que protegem as crianças de muitas infecções no começo e ao longo da vida, diminuindo inclusive os riscos de câncer.

“O trato intestinal do recém-nascido passa por mudanças marcantes em resposta à alimentação”, ressalta a pesquisadora. “E a resposta ao leite materno é superior a da fórmula, o que sugere que os componentes bioativos do leite da mãe sejam importantes nesta resposta”.

As principais diferenças entre os organismos dos bebês estão no desenvolvimento do intestino e fortalecimento da defesa imunológica.

Ao examinar a expressão gênica intestinal de 22 crianças saudáveis – 12 amamentadas e 10 alimentadas com fórmulas -, os pesquisadores observaram que crianças que recebiam leite materno tinham expressão gênica mais acentuada associada à resposta célular à privação de oxigênio. A falta de oxigêncio é um fator no desenvolvimento da enterocolite necrosante, um problema que acarreta a gangrena do intestino, podendo ser fatal em bebês prematuros.

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