Identificado gene que dá identidade a células do intestino

Com este conhecimento, a equipe espera conseguir também parar a progressão do câncer de cólon ao ativar genes anticâncer já identificados.

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30 Agosto 2010 | 12h09

Para que o intestino funcione corretamente, aproveitando o alimento que comemos, os sucos digestivos devem ser capazes de decompor componentes menores e transportá-los através da parede intestinal, partindo para os músculos e órgãos do corpo. Crédito: University of Copenhagen.

Para que o intestino funcione corretamente, aproveitando o alimento que comemos, os sucos digestivos devem ser capazes de decompor componentes menores e transportá-los através da parede intestinal, partindo para os músculos e órgãos do corpo. Crédito: University of Copenhagen.

Pesquisadores da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, tiverem sucesso ao decodificar a chave genética que dá identidade a algumas células específicas do intestino. Com este conhecimento, a equipe espera conseguir também parar o câncer de cólon ao ativar genes anticâncer.

Funcionamento do intestino

Para que o intestino funcione corretamente, aproveitando o alimento que comemos, os sucos digestivos devem ser capazes de decompor componentes menores e transportá-los através da parede intestinal, partindo para os músculos e órgãos do corpo. O revestimento do intestino é feito de células epiteliais, uma camada especializada que produz muco e hormônios, responsáveis por fazer com que bactérias e toxinas perigosas fiquem “longe” do local.

Caso isso não esteja funcionando de forma adequada, os micróbios ou toxinas podem induzir mutações que levam ao câncer. Por este motivo, o intestino delgado secreta toda a camada epitelial em dois a cinco dias, enquanto o intestino grosso leva três semanas para realizar o mesmo.

Gene chave

O CDX2 é responsável por fazer com que uma célula localizada no tecido epitelial do intestino trabalhe corretamente, sendo considerado um gene de identidade. A pesquisa mostrou que ele controla mais de 600 genes, mostrando o caminho para que células intestinais façam o seu trabalho, garantindo que o órgão funcione de forma saudável.

“Entre os 600 genes que encontramos, descobrimos cinco que você pode chamar de genes anticâncer”, diz Troelsen Jesoer, professor adjunto da universidade. “Estudamos também estágios iniciais de câncer de cólon, observando que antes de as células cancerosas começarem a invadir o tecido fora do cólon, elas desativam o gene CDX2, removendo seu ID”.

A equipe agora está estudando as propriedades do CDX2 que permitem suprimir o câncer. O trabalho pode ajudar a encontrar uma forma de reativar o gene que permite parar a progressão da doença.

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