Câncer: células mudam perfil genético de acordo com o ambiente

De acordo com a equipe, os testes que buscam bloquear o fornecimento de nutrientes para os tumores podem estar sendo realizados sobre um erro.

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14 Outubro 2010 | 12h39

Cientistas da Universidade East Anglia podem mudar a forma como drogas anticâncer são testadas. De acordo com a equipe, os testes que buscam bloquear o fornecimento de nutrientes para os tumores podem estar sendo realizados sobre um erro.

Capilares estudados em laboratóro mostrando a expressão de genes normalmente presentes apenas em células linfáticas. Crédito: UEA.

Capilares estudados em laboratóro mostrando a expressão de genes normalmente presentes apenas em células linfáticas. Crédito: UEA.

Um tumor pode crescer apenas quando tiver desenvolvido seu próprio fornecimento de sangue. As pesquisas têm, portanto, se concentrado em encontrar uma maneira de travar a formação de novos vasos, cortando a alimentação dos tumores.

O trabalho comprova que as células são capazes de mudar seu perfil genético – desligar genes expressos pelas células dos vasos sanguíneos e ligar genes específicos de células linfáticas. A existência de uma “chave” como esta já havia sido imaginada. No entanto, cientistas voltaram suas observações para células linfáticas, em vez de células de vasos sanguíneos.

“Sempre foi pensado que células não poderiam mudar de sanguíneas para células linfáticas vasculares”, diz Lin Cooley. “Outros pesquisadores têm feito experimentos pensando que eles estavam olhando para células sanguíneas, quando, na verdade, estavam olhando para células linfáticas vasculares”. A descoberta é importante porque eles não estão estudando o que eles acham que estão.

Para chegar a estas conclusões, os pesquisadores usaram células de veias humanas em experimentos em que formam capilares – os menores vasos sanguíneos do corpo -, cultivadas em vários ambientes semelhantes aos do corpo.

O sistema vascular humano é composto de duas redes circulatórias: o sangue e vasos linfáticos. Os vasos sanguíneos e vasos linfáticos são estruturalmente semelhantes, mas desempenham papéis muito diferentes, sendo constituídos por dois tipos de células distintos. “Nós descobrimos que quando as células das veias formam estruturas de tubo, elas aparecem para mudar o perfil genético, desligando genes expressos pelas células dos vasos sanguíneos e ligando genes específicos para vasos linfáticos”, ressalta Cooley. “Esta mudança pode ser revertida, e é dependente do ambiente particular em que são cultivadas”.

A equipe também demonstrou que as mudanças de identidade ocorrem em resposta ao ambiente, e não apenas especificado por sinais durante o desenvolvimento precoce. Um artigo sobre a pesquisa foi publicada hoje no Journal of Cell Science.

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