Gordos apresentam flora intestinal diferente da de magros

Gordos apresentam flora intestinal diferente da de magros

Da redação

13 Janeiro 2012 | 14h25

 

Rede metabólica ao nível comunitário do microbioma intestinal. Os nódulos representam enzimas e bordas conectam as enzimas que catalisam sucessivas etapas metabólicas. Enzimas associadas com a obesidade aparecem como nódulos coloridos maiores (vermelho = enriquecido; verde = empobrecido). Crédito: Divulgação/Universidade de Washington

Pesquisadores da Universidade de Washington, EUA, descobriram que o conjunto de microrganismos residentes no intestino humano trabalha como um sistema integrado e apresenta diferenças entre pessoas magras e obesas. A conclusão do estudo é promissora para a melhor compreensão da obesidade e da doença inflamatória do intestino.

Existem mais de cem trilhões de micróbios vivendo no organismo humano, a maior parte no intestino. Centenas deles são bactérias, formando um enorme conjunto de genes, cerca de 150 vezes maior que o conjunto de genes humano. O microbioma intestinal – todas as bactérias com seus DNAs vivendo no intestino e interagindo com o nosso organismo – produz vitaminas, blocos para construção de proteínas, extraindo energia dos alimentos ingeridos e conferindo resistência às doenças.

No estudo, a equipe abordou o microbioma humano como um supraorganismo coeso onde os genes de múltiplas espécies microbianas se orquestram como se fizessem parte de um único organismo. A razão para se tomar essa abordagem é consequência da constatação em estudos anteriores de que espécies de bactérias isoladas em laboratório não sobreviviam umas sem as outras – elas eram simbióticas. Várias combinações de inúmeras espécies e genes diferentes de bactérias, descobertas com o mapeamento do microbioma humano, foram associadas a determinadas condições humanas.

Os pesquisadores observaram que pessoas magras e obesas apresentavam diferenças em seus microbiomas intestinais. As enzimas associadas à obesidade ou à magreza, produzidas pelas bactérias do microbioma, estavam mais concentradas na extremidade da rede comunitária. Portanto, estavam mais distantes do núcleo da rede e de suas funções metabólicas chaves. A constatação desse fato levantou a suspeita dos pesquisadores de que elas não são utilizadas pelo microbioma, ou seja, não interagem com as funções enzimáticas deste sistema. Elas parecem ser destinadas ao uso direto ou produzir substâncias que caracterizam o ambiente intestinal, e formam uma interface entre o metabolismo humano e o microbiano.

Zoom da rede comunitária do microbioma intestinal. Crédito: Divulgação/Universidade de Washington

Acima, Rede metabólica ao nível comunitário do microbioma intestinal. Os nódulos representam enzimas e bordas conectam as enzimas que catalisam sucessivas etapas metabólicas. Enzimas associadas com a obesidade aparecem como nódulos coloridos maiores (vermelho = enriquecido; verde = empobrecido). Nesta imagem, zoom da rede comunitária do microbioma intestinal. Crédito: Divulgação/Universidade de Washington

Elhanan Borenstein, responsável pela pesquisa, sugere que as variações no nível enzimático associadas com a obesidade e a doença inflamatória do intestino estão vinculadas às alterações na forma como o microbioma interage com o ambiente do intestino humano. Portanto, não parece ser uma variação nos processos metabólicos dentro do núcleo microbiano. A pesquisadora acrescenta que outros achados apontam para a habilidade do microbioma de obesos em usar diversas fontes de energia. Esta habilidade aumenta a capacidade de extrair energia dos alimentos ingeridos.

Comparações entre os microbiomas de obesos e magros também mostraram que os dos obesos estão associados com níveis mais baixos de um traço topológico chamado ‘modularidade’. A modularidade reduzida das comunidades do microbioma de obesos é parecida com a de espécies específicas adaptadas para habitar ambientes de baixa diversidade, ou seja, maior capacidade de se alimentarem mais com pouca variedade.