Maior acelerador de partículas do mundo recria condições do Big Bang

Dois feixes de prótons colidem a 7 trilhões de elétrons-volt no Grande Colisor de Hádrons, dando início a nova era de pesquisas da Física.

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30 Março 2010 | 10h29

Cientista da Universidade de Wisconsin-Madison Armando Lanaro (esquerda) e Dan Wenman, instalando em 2002 uma câmara especializada para a detecção de partículas (vermelho). Crédito: Dick Loveless – UW-Madison.

Cientista da Universidade de Wisconsin-Madison Armando Lanaro (esquerda) e Dan Wenman, instalando em 2002 uma câmara especializada para a detecção de partículas (vermelho). Crédito: Dick Loveless – UW-Madison.

Dois feixes de prótons colidiram a 7 trilhões de elétrons-volt no Grande Colisor de Hádrons, o maior acelerador de partículas do mundo localizado na Suíça, conforme anunciado por cientistas após a quebra de recorde de mais energia atingida por uma máquina do tipo. O acontecimento marca uma nova era de pesquisas para físicos, que a partir do experimento poderão estudar melhor fenômenos e partículas até então hipotéticos. Uma longa corrida começa com energia três vezes maior do que anteriormente alcançada em um acelerador.

“É um grande dia para quem é um físico de partículas”, afirma o diretor geral do CERN (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear), Rolf Heuer. “Muitas pessoas esperaram muito tempo por esse momento, mas a paciência e a dedicação começaram a receber pelo que fizeram”.

Para os pesquisadores, o recorde de colisão de energia alcançado hoje permite a exploração de um vasto campo na física: a busca por um melhor entendimento da matéria escura, novas forças, diferentes dimensões e os bósons de Higgs. “Todos ficaram impressionados com o desempenho do LHC até agora”, ressalta Guido Tonneli, porta voz do experimento. “É particularmente gratificante ver como nossos detectores de partículas estão trabalhando, enquanto as nossas equipes de física do mundo todo já estão analisando dados”. De acordo com Tonelli, logo os pesquisadores irão abordar alguns dos grandes mistérios da física moderna, como a origem da massa, a grande unificação de forças e presença da matéria escura, abundante no universo.

O choque de prótons, gerados de uma energia altíssima, recria em partes as condições do Big Bang – a grande explosão que teria, segundo defende a maioria dos físicos, dado origem ao universo e à vida.

Desde que reabriu em 2009, após um problema elétrico que forçou a sua desativação por mais de um ano, o LHC vem operando com feixes de prótons de energia mais baixos, para testar e afinar detectores, garantindo que a máquina alcance energias mais elevadas de forma segura. Hoje, a partir da energia atingida, o colisor passa a funcionar nesse índice até o fim de 2011, quando deve parar para manutenções e melhora no desempenho.

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