Muitas mulheres com insuficiência ovariana tem ovos imaturos

Pesquisa mostra por que algumas mulheres com a chamada "menopausa precoce" conseguem engravidar após o diagnóstico.

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26 Abril 2010 | 16h14

Pesquisa mostra por que algumas mulheres com insuficiência ovariana primária conseguem engravidar.

Pesquisa mostra por que algumas mulheres com insuficiência ovariana primária conseguem engravidar.

Contrariamente ao que acreditavam, a maioria das mulheres com a condição similar à menopausa – insuficiência ovariana primária – continua a ter ovos imaturos em seus ovários, de acordo com um estudo do Instituto Nacional de Saúde dos EUA.

A insuficiência ovariana primária resulta em uma condição de menopausa antes da idade normal. Pode acontecer na adolescência e faixa dos 20 anos. Nestas condições, mulheres jovens deixam de produzir quantidades normais de hormônios reprodutivos, geralmente, tornando-se inférteis.

“A descoberta de que a maioria das mulheres com insuficiência ovariana primária tem ovos prematuros em seus ovários ainda abre a possibilidade para o desenvolvimento de tratamentos para a infertilidade que acompanhem este estado”, diz Alan E. Guttmacher, diretor do Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development.


A insuficiência ovariana primária ocorre em uma de cada cem mulheres, por volta dos 40 anos de idade. Além de experimentar ondas de calor, pessoas nestas condições deixam de ter menstruação regular. Os sintomas podem ser reduzidos ou aliviados por terapia de hormônios, para substituir os ausentes. Embora a maioria das mulheres com o problema seja infértil, cerca de 5 a 10% engravidam inesperadamente em algum momento da vida após o diagnóstico.

Resultados de pesquisas mostram que a ovulação é possível neste grupo de pacientes. O refinamento das técnicas de ultrasom permitiu a cientistas detectarem folículos ovarianos em três quartos das mulheres com o problema.

Folículo aqui, folículo lá

Um folículo é uma bolsinha com líquido, localizada no ovário, que dá origem à célula-ovo: o óvulo. Os pesquisadores observaram que eles existiam em pelo menos 73% das mulheres que participaram do estudo e tinham insuficiência ovariana primária. Mais: estes folículos eram capazes de produzir hormônios.

Durante o ciclo menstrual normal, a hipófise libera o hormônio folículo estimulante (FSH), que faz com que os folículos cresçam. Enquanto estão crescendo, os folículos liberam o hormônio estradiol, uma forma de estrogênio. A hipófise também produz outro hormônio, chamado hormônio luteinizante (LH), que permanece em níveis baixos durante a maior parte do ciclo e, em seguida, surge quando é hora de ovular. Esse pico de LH no folículo dá um sinal para a quebra e liberação do óvulo. Nas mulheres com insuficiência ovariana primária, os níveis de FSH e LH eram bem mais elevados.

Os pesquisadores acreditam que esses elevados índices de hormônio sejam causados pela falta de um folículo extra. Em mulheres com ovulação normal, folículos adicionais parecem indicar à hipófise de que forma regular os níveis de hormônio. Sem este feedback, não há ovulação. Isso explicaria também por que algumas mulheres que usam adesivo de estradiol para aliviar os sintomas da “menopausa” conseguiram engravidar: o hormônio fornecido por ele foi capaz de fazer os folículos amadurecerem, suprimindo os níveis de LH.

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