Mais antigo conglomerado de galáxias conhecido ainda está em atividade

O telescópio espacial Spitzer da NASA registrou estrelas jovens escondidas no mais antigo e mais distante conglomerado de galáxias do universo.

taniager

19 Agosto 2010 | 03h38

Formação estelar no conglomerado da galáxia CLG J02182-05102. Crédito: cortesia de NASA/Universidade do Texas A&M.

Formação estelar no conglomerado da galáxia CLG J02182-05102. Crédito: cortesia de NASA/Universidade do Texas A&M.

O telescópio espacial Spitzer da NASA registrou estrelas jovens escondidas no mais antigo e mais distante conglomerado de galáxias do universo. A análise das imagens surpreendeu os cientistas por revelar uma fração significante de galáxias anciãs ainda em atividade.

A Dra. Kim-Vy Tran, professora do Departamento de Física e Astronomia da Universidade do Texas A&M, e sua equipe internacional de pesquisadores passaram quatro meses analisando as imagens de 10 bilhões de anos tiradas pelo Fotômetro de Imagem de Multibanda do Spitzer (MIPS, sigla em inglês) do conglomerado de grande red-shift denominado CLG J02182-05102.

Apesar de ter sido observado no tempo de quatro bilhões de anos após o Big Bang, este conglomerado chocou os cientistas não apenas por sua aparência e tamanho “modernos”, mas também por sua produção de centenas de milhares de novas estrelas a cada ano – uma taxa de natalidade muito mais elevada que aquela de galáxias próximas.

Ainda mais notável é o fato de a taxa de natalidade estelar ser mais alta no centro do conglomerado que nas bordas – exatamente o oposto do que acontece em nossa porção local do universo, onde os centros de conglomerados de galáxias são conhecidos como cemitérios galácticos de galáxias elípticas massivas compostas de estrelas velhas.

Segundo Tran, a evolução de galáxias tem mostrado um padrão: quanto maior a densidade de estrelas, menor a taxa de nascimento. Contudo, o conglomerado analisado se opõe à regra e apresenta uma taxa de natalidade bem alta em regiões menos densas.

A pesquisadora supõe que o fenômeno possa ser explicado pela vizinhança densamente povoada que leva galáxias a ativarem umas as outras, ou que todas as galáxias foram extremamente ativas quando o universo era jovem.

A descoberta do grupo tem implicações potencialmente interessantes que poderiam finalmente revelar mais informações sobre como estas galáxias massivas se formam. Observações de aglomerados de galáxias próximas confirmam que elas são feitas de estrelas que têm, pelo menos, de 8 a 10 bilhões de anos de idade, o que significa que CLG J02182-05102 está chegando ao fim do seu período de formação estelar hiperativo.

“Nosso estudo mostra que, ao olhar mais longe para o universo distante, ele nos revelou o elo que faltava entre as galáxias ativas e os gigantes quiescentes que vivem no universo local,” Tran adiciona. “Nossa descoberta indica que estudos futuros de aglomerados de galáxias neste intervalo de red-shift deverá ser particularmente fecundo para entender como estas galáxias massivas são formadas em função do seu ambiente”.