Expectativa de vida aumenta, mas adoecemos mais cedo

Mais e pior: período gasto com doenças graves ou perda da mobilidade funcional realmente aumentou nas últimas décadas.

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14 Dezembro 2010 | 11h10

A expectativa de vida pode ter aumentado no mundo e, especialmente, nos Estados Unidos. Entretanto, as pessoas não seguem ao longo dos anos de forma saudável. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia do Sul, a chamada “média de morbidade”, ou seja, o período de vida gasto com doenças graves ou perda da mobilidade funcional realmente aumentou nas últimas décadas.

“Nós sempre pensamos que cada geração será mais saudável e mais longa do que a anterior”, diz Eileen Crimmins, especialista em gerontologia na universidade. “No entanto, a compreensão da morbidade pode ser tão ilusória quanto a imortalidade”. O que está acontecendo, de fato, é que perdemos boa parte da vida com doenças, apesar de vivermos mais tempo.

Em 1998 era esperado que um homem de 20 anos de idade fosse viver mais 45 anos sem ao menos uma das principais causas de morte: doenças cardiovasculares, câncer ou diabetes. Este número caiu para 43,8 anos em 2006. Para mulheres jovens, a idade média prevista para começar a apresentar doenças caiu de 49,2 para 48 anos na última década.

“Há provas substanciais de que nós temos feito pouca coisa té agora para eliminar ou atrasar doenças, enquanto evitamos a morte por doenças”, explica Crimmins. “Ao mesmo tempo, tem havido um aumento significativo na incidência de determinadas doenças crônicas como, por exemplo, o diabetes”.


De 1998 a 2006, a prevalência de doenças cardiovasculares aumentou entre homens mais velhos. Ambos os sexos masculino e feminino apresentaram maior incidência de câncer. O diabetes aumentou significativamente entre grupos etários de adultos acima dos 30 anos. Também aumentaram os casos de múltiplas doenças entre a população.

“O problema crescente de obesidade ao longo da vida e aumento da hipertensão e colesterol alto é um sinal de que a saúde não pode estar melhorando a cada geração”, ressalta Crimmins. “Parece que nós não estamos indo para um mundo onde morremos sem experimentar períodos significativos de doença, a perda do funcionamento e a incapacidade”.

early and stayed sick longer